INVESTIGAÇÃO SOBRE FRAUDES

Polícia Federal investiga bancos por suposta cumplicidade em fraudes na Americanas

Fachada de unidade da Americanas localizada no Setor Comercial Sul, em Brasília
Lojas Americanas do Setor Comercial Sul em Brasília

A Polícia Federal apura se Itaú e Santander auxiliaram na ocultação de dívidas da varejista. Operação Disclosure busca entender o papel das instituições no escândalo.

A Polícia Federal investiga se o Itaú e o Santander contribuíram para a manutenção do esquema que ocultou a real situação financeira da Americanas, em manobra que prejudicou acionistas, credores e o mercado financeiro. A apuração, detalhada nesta quinta-feira, 09/07/2026, analisa se as instituições financeiras participaram ativamente do mascaramento de dívidas conhecidas como "risco sacado".

No centro da controvérsia, o "risco sacado" funciona como uma antecipação de pagamento a fornecedores feita pelo banco, gerando um passivo financeiro para a varejista. Segundo a investigação, tais obrigações deveriam constar nos balanços da Americanas como dívida bancária, mas eram registradas de forma a ocultar o montante real, comprometendo a transparência da companhia.

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou, no final de junho, a busca e apreensão em endereços de executivos do Itaú, Santander e Bradesco. A decisão judicial baseia-se em indícios de que os bancos teriam atuado de forma coordenada para viabilizar as fraudes, omitindo informações cruciais em documentos enviados à auditoria, as chamadas "cartas de circularização".

A omissão desses dados permitiu que a Americanas mantivesse a imagem de uma empresa saudável, facilitando o acesso a novos financiamentos. Para o sistema financeiro e os pequenos investidores, o impacto é profundo: a manobra impediu que a real dimensão do colapso fosse identificada precocemente, agravando as perdas bilionárias após a descoberta da crise contábil.

Em nota, o Itaú Unibanco ressaltou que colabora com as autoridades desde 2023 e afirma ter recusado pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar dados de circularização, mantendo a lisura de suas operações. O Santander reforçou seu compromisso com a ética e a colaboração contínua com a PF, enquanto o Bradesco declarou estar à disposição das autoridades.

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