ESQUEMA EM MINAS

Polícia Federal indicia presidente da ANM e diretor por corrupção na mineração

Presidente da ANM, Mauro Henrique Moreira Sousa
Mauro Henrique Moreira Sousa, presidente da ANM, foi indiciado pela PF.

Presidente da ANM, Mauro Henrique Moreira Sousa, e o diretor Caio Trivelatto estão entre os mais de 40 indiciados. Investigações apontam favorecimento a mineradoras irregulares.

A Polícia Federal (PF) encerrou, na sexta-feira, 26 de junho de 2026, as operações Rejeito e Parcours, com o indiciamento de mais de 40 pessoas sob suspeita de integrar esquemas de corrupção no setor de mineração em Minas Gerais. Entre os alvos da investigação estão o presidente da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, e o diretor da agência, Caio Trivelatto, além de empresários do ramo.

As apurações revelaram a existência de um esquema de favorecimento a grupos empresariais dentro da própria agência reguladora. A Operação Rejeito resultou em 34 indiciamentos, enquanto a Operação Parcours focou em irregularidades na exploração da Mina Granja Corumi, na Serra do Curral, em Belo Horizonte, com 16 pessoas indiciadas.

Mauro Henrique Moreira Sousa, presidente da ANM

Entre os empresários indiciados está Lucas Kallas, ex-sócio de Daniel Vorcaro e proprietário da Cedro Mineração. A PF concluiu que Kallas atuou na exploração comercial da Mina Granja Corumi entre 2014 e 2018, um período em que a área possuía autorização apenas para um plano de recuperação ambiental. A investigação atribui a ele crimes ambientais, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência. A PF também apontou indícios de que Kallas teria custeado um título de sócio-torcedor do Cruzeiro, no valor de R$ 12.000, para Wagner Salles, agente público do setor de mineração. Diálogos obtidos pela investigação indicam o planejamento da exploração ilegal, estratégias para ocultar a extração e tratativas com órgãos públicos.

Diretoria da ANM Indiciada

O presidente da ANM, Mauro Sousa, foi indiciado sob suspeita de favorecer o empresário Luis Fernando Franceschini. Segundo a PF, Franceschini continuou explorando a área da Serra do Curral mesmo após a saída de Kallas. Conversas interceptadas revelaram uma relação considerada incompatível com a impessoalidade esperada entre o dirigente da agência e um empresário do setor regulado.

Na Operação Rejeito, o diretor da ANM, Caio Trivelatto, foi indiciado por supostamente atuar em favor de empresas ligadas ao empresário Alan Cavalcante, como a Aiga Mineração. A PF afirma que Trivelatto influenciou atos administrativos para beneficiar os interesses econômicos do grupo e agiu em coordenação com a organização investigada. Cavalcante é apontado como líder do esquema e figura em ambas as operações.

Outro Lado

O Poder360 contatou por e-mail as assessorias e gabinetes de Caio Trivelatto, Mauro Henrique Moreira Sousa (ANM) e do empresário Luis Fernando Franceschini. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve resposta. O texto será atualizado caso os citados se manifestem.

A ANM informou em nota que não foi comunicada oficialmente sobre o relatório final da investigação e que está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos.

A reportagem não localizou os contatos de Alan Cavalcante, Luis Fernando Franceschini e Wagner Salles. O espaço permanece aberto para posicionamentos.

Segue a íntegra da nota enviada pela ANM: ‘A Agência Nacional de Mineração (ANM) não foi comunicada oficialmente sobre o relatório final da investigação mencionada. A Agência acompanha os desdobramentos do caso e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar as informações que forem solicitadas no âmbito das investigações. A ANM reitera que atua no exercício de suas competências legais e regulatórias e adota as medidas cabíveis sempre que formalmente demandada ou quando identificadas situações que exijam providências no âmbito de sua atuação.’

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