CASO VORCARO
Polícia Federal cobra transferência de Daniel Vorcaro após rejeitar nova delação
Ministro André Mendonça, relator do caso no STF, indicou exigência de fatos novos para homologação de acordo. PF considera ter elementos suficientes para apuração independente.
A Polícia Federal (PF) solicitou a transferência de Daniel Vorcaro de uma cela especial na Superintendência da PF em Brasília, onde está detido desde maio. A decisão ocorre após a rejeição da segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro, comunicada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda não emitiu resposta formal sobre o acordo. Investigadores da PF consideram que o material apresentado por Vorcaro não trouxe novidades nem provas relevantes, pois a corporação já possui oito celulares apreendidos com documentos e mensagens que considera suficientes para prosseguir com a apuração.
A percepção entre os investigadores é que Daniel Vorcaro possui poucas condições de comprovar seus relatos, especialmente após a perda do controle do banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 por suspeitas de fraudes. Há um entendimento de que ele busca apenas prolongar seu tempo fora de um presídio comum.
Desde março, Vorcaro permaneceu em uma cela especial sob acordo de confidencialidade, com acesso liberado a advogados das 9h às 17h. A PF e a PGR analisaram a nova proposta de delação nos últimos dias.
A avaliação da PF é que Daniel Vorcaro priorizou a própria defesa e a justificativa de favores à classe política, sem apresentar novas linhas de investigação. O inquérito atual aponta o uso de influência política para a expansão dos negócios do banco.
Daniel Vorcaro é suspeito de comandar fraudes que teriam causado prejuízos a correntistas, investidores e fundos de previdência, como o Rioprevidência. Estima-se que o rombo no Fundo Garantidor de Créditos tenha alcançado R$ 50 bilhões.
Esta marca a segunda interrupção nas negociações entre a PF e o banqueiro, após a primeira recusa em maio de 2026. Para que qualquer acordo de delação tenha validade jurídica, ele precisa ser homologado pelo ministro André Mendonça, que já sinalizou a exigência de fatos novos e concretos.
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