ESQUEMA BILIONÁRIO DESCOBERTO
Polícia Federal apreende R$ 4,2 milhões em ação contra auditores da Receita
Valores em espécie, incluindo dólares e euros, foram achados na Operação Mare Liberum, que afastou 25 servidores da Receita Federal.
A Polícia Federal (PF) divulgou nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, o impressionante balanço da Operação Mare Liberum, confirmando a apreensão de mais de R$ 4,2 milhões em espécie nas residências de auditores da Receita Federal no Rio de Janeiro. Esta quantia colossal, composta por reais, dólares, euros e libras, é resultado de um esquema de corrupção e contrabando que desvia bilhões dos cofres públicos. A ação, deflagrada na última terça-feira, 28 de abril de 2026, representa um golpe crucial contra a fraude fiscal, restaurando a esperança em uma administração pública mais íntegra e justa para toda a sociedade.
As imagens divulgadas pela PF mostram vastas pilhas de dinheiro em espécie, confirmando a escala do esquema de corrupção de mercadorias importadas no Porto do Rio de Janeiro. Este montante choca ao revelar a extensão da fraude que impacta diretamente a arrecadação de impostos e a economia nacional.
Balanço consolidado da Operação Mare Liberum
- Dinheiro (Reais): R$ 1.517.750
- Dinheiro (Dólar): US$ 467.753 (equivalente a cerca de R$ 2.408.927)
- Dinheiro (Euro): 50.265 EUR (equivalente a cerca de R$ 281.484)
- Dinheiro (Libras): 140 GBP (equivalente a cerca de R$ 910)
- Total em espécie: R$ 4.209.071
- Celulares: 54
- Veículos: 17
- Relógios de luxo: 11
- Passaportes: 17
- Arma: 1 revólver
- Munições: 10 (calibre .38)
- 1 investigado preso por posse ilegal de arma de fogo e munições.
A Operação Mare Liberum investiga uma complexa associação criminosa composta por importadores, despachantes e servidores públicos, especialmente auditores e analistas da Receita Federal. Eles são suspeitos de facilitar contrabando e descaminho mediante o pagamento de propina, uma prática que mina a integridade do comércio exterior brasileiro.
No total, 25 servidores da Receita foram alvo de diligências na manhã da última terça-feira, 28 de abril de 2026, sendo 17 auditores fiscais e oito analistas tributários. Todos foram imediatamente afastados de suas funções no órgão, uma medida essencial para garantir a lisura das investigações e a proteção do serviço público.
A vasta quantia de dinheiro em espécie foi localizada e apreendida em três endereços distintos no Rio de Janeiro. As cédulas em reais, além de euros e dólares, foram encontradas na residência de uma auditora da Receita Federal, situada na Barra da Tijuca. Em Niterói, dólares empacotados e acondicionados em fundo branco foram recolhidos na casa de um auditor. Finalmente, em Copacabana, também no Rio, notas em reais foram apreendidas escondidas embaixo da cama de outro servidor da Receita Federal, dentro de um pote.
Além dos valores em espécie, a investigação revela que o esquema de corrupção envolvendo contrabando de mercadorias movimentou cerca de R$ 86,6 bilhões no período entre julho de 2021 e março de 2026, conforme dados da própria Receita Federal. Este montante astronômico ilustra a dimensão do prejuízo causado ao Brasil e a urgência de combater tais crimes.
Entenda a Operação Mare Liberum
As investigações começaram em fevereiro de 2022, impulsionadas por apurações internas da Corregedoria da Receita Federal. Essas averiguações revelaram a existência de uma organização criminosa estruturada, na qual servidores públicos, despachantes aduaneiros e empresários atuavam em conjunto para liberar mercadorias irregularmente.
O grupo agia de forma coordenada, permitindo divergências entre produtos importados e os declarados, além da possível supressão de tributos. Três frentes principais foram identificadas:
- A primeira envolvia a liberação direta de mercadorias classificadas nos canais vermelho e cinza, considerados de alto risco, sem o cumprimento das exigências legais.
- A segunda frente explorava o setor de óleo e gás, liberando embarcações e equipamentos sem a devida fiscalização, sempre mediante o pagamento de propina.
- A terceira consistia no "recebimento de vantagens indevidas pagas por operadores portuários", revelando a complexidade e a abrangência do esquema.
A Receita Federal reforça que as investigações seguem em curso. O objetivo é responsabilizar todos os envolvidos e recuperar os imensos prejuízos causados ao patrimônio público e à sociedade brasileira.
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