CRIME MILIONÁRIO DESMASCARADO
Polícia desarticula esquema interestadual milionário de rifas ilegais
Operação Vanitas prende suspeitos de fraudar sorteios, lavar dinheiro e ameaçar apostadores em quatro estados. Bens de mais de R$ 1 milhão foram sequestrados.
Uma operação interestadual deflagrada nesta quarta-feira, 24/06/2026, desarticulou um esquema criminoso de exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro e ameaças a apostadores que movimentou milhões em Minas Gerais, Piauí, Maranhão e Pará. A ação, batizada de Operação Vanitas, resultou no cumprimento de 28 mandados de busca e apreensão e na prisão de suspeitos de integrar a organização.
Foram 10 mandados de busca e apreensão em Pirapora (MG), 16 em Teresina (PI), um em Timon (MA) e outro em Rondon do Pará (PA). A Justiça autorizou, ainda, o sequestro de 12 veículos avaliados em cerca de R$ 1,1 milhão e o bloqueio de ativos financeiros em 43 contas bancárias ligadas a pessoas físicas e jurídicas envolvidas. As medidas foram solicitadas pela 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil em Pirapora, que conduziu as investigações.
A organização criminosa atuava na comercialização ilegal de bilhetes numerados divulgados em plataformas digitais. As apurações indicam que o grupo manipulava os resultados dos sorteios através do controle das chamadas “sobras”, bilhetes não vendidos. "Eles vendem rifas, só que essas rifas nunca são sorteadas. Eles manipulam as sobras que não são vendidas e sempre acabam acumulando o prêmio", explica o delegado Diego Vilhena.
A prática permitia o acúmulo artificial dos prêmios e dificultava a realização legítima dos sorteios. Quando um apostador reivindicava uma premiação supostamente conquistada, integrantes da organização o intimidavam e ameaçavam para impedir o pagamento. "Quando algum apostador acaba ganhando, eles pegam e ameaçam essa vítima", relata Vilhena.
A estrutura criminosa contava com divisão de tarefas, recrutamento de vendedores e uso de empresas e pessoas interpostas para ocultar a origem dos recursos. As investigações identificaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos suspeitos. Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), com base em comunicações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontaram operações atípicas que somam cerca de R$ 11,543 milhões.
Os documentos revelam fracionamento de valores, intensa circulação de dinheiro e incompatibilidade patrimonial, reforçando as suspeitas de lavagem de capitais por meio de empresas de fachada. As investigações, iniciadas em 2025, contaram com apoio de equipes especializadas de outros estados e seguem em andamento, com possibilidade de novos desdobramentos.
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