ALERTA AO CRIME

Polícia Civil rastreia criptomoedas da Tren de Aragua com tecnologia americana

Operação contra Tren de Aragua apreende dólares e Porsche
Operação contra Tren de Aragua apreende dólares e Porsche

Operação com apoio dos Estados Unidos bloqueia ativos digitais da facção e mira lavagem de dinheiro e tráfico internacional de armas no Brasil.

A Polícia Civil, com auxílio de tecnologia de ponta dos Estados Unidos, deflagrou uma operação nesta terça-feira (16) em seis estados brasileiros para desarticular o esquema de lavagem de dinheiro da facção venezuelana Tren de Aragua. A ação, denominada “Rota do Norte”, utilizou ferramentas de inteligência para rastrear e congelar criptomoedas usadas pela organização criminosa, que movimenta milhões em transações ilícitas, incluindo a venda de armas pesadas para o Comando Vermelho (CV).

A investigação contou com o suporte da Chainalysis, empresa líder global em análise de transações com criptoativos. O uso da tecnologia de rastreamento em blockchain permitiu identificar e bloquear as moedas virtuais, uma estratégia cada vez mais adotada por grupos criminosos para ocultar a origem de fundos ilícitos. O blockchain funciona como um registro digital público e imutável, onde cada transação é verificada e adicionada a uma cadeia de blocos, garantindo transparência sem a necessidade de intermediários.

A ofensiva resultou na prisão de 15 pessoas – duas em flagrante – em Roraima, Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Mandados de prisão preventiva foram expedidos contra 18 venezuelanos e sete brasileiros, visando desmantelar os braços logístico e financeiro da facção no país. A atuação da Tren de Aragua em Roraima é monitorada desde 2018.

O delegado Hugo Cardias, titular da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco), ressaltou a evolução das táticas criminosas. "Assim como as empresas, as facções criminosas têm se atualizado com relação às transações financeiras e usam até criptomoedas. Já é um outro lado de investigação que nós temos que tomar a partir de agora. Um lado mais especializado", afirmou.

Equipamentos apreendidos pela Polícia Civil em operação contra Tren de Aragua em Roraima. — Foto: João Gabriel Leitão/g1 RR

A Tren de Aragua, fundada em uma prisão na Venezuela, expandiu suas atividades para países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile, envolvendo-se em sequestros, extorsão, mineração ilegal, tráfico de drogas e de pessoas. No ano anterior, os Estados Unidos classificaram o grupo como organização terrorista estrangeira, equiparando-o a outras facções como o PCC e o Comando Vermelho.

A aliança entre a Tren de Aragua e o Comando Vermelho, descrita como uma "simbiose" pela polícia, é motivada pelo alto poder aquisitivo da facção brasileira e pela capacidade dos estrangeiros de obter armas pesadas. O grupo venezuelano utiliza Roraima como rota estratégica para introduzir armamentos de grosso calibre, como metralhadoras .50, fuzis e lança-granadas, oriundos dos Estados Unidos, Colômbia e Venezuela, com destino final ao Rio de Janeiro e Amazonas.

"Há um conjunto probatório robusto de que essas armas eram enviadas para o estado do Amazonas e, em um segundo momento, para o estado do Rio de Janeiro. Armas oriundas dos Estados Unidos, da Colômbia e da Venezuela", detalhou o delegado Wesley Costa, responsável por parte das investigações.

Além das prisões e do bloqueio de ativos digitais, a Operação Rota do Norte apreendeu R$ 350 mil em valores convertidos, incluindo R$ 76.725 em espécie, US$ 48.285 e € 35. Foram confiscadas três máquinas de contar dinheiro, 17 celulares, 11 veículos – entre eles um Porsche e um Land Rover –, além de porções de diversas drogas, munições e uma pistola calibre 380.

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