OPERAÇÃO AMICIS AVANÇA
Polícia Civil e Justiça prendem empresário em nova fase da Operação Amicis no RN
Esquema milionário já causou R$ 3,8 milhões em prejuízos e envolve vazamento de informações sigilosas.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, em conjunto com a Justiça, deflagrou nesta terça-feira, 28/04/2026, a segunda fase da Operação Amicis, resultando na prisão temporária de um empresário e no cumprimento de mandados de busca e apreensão. A ação visa desmantelar um esquema milionário de lavagem de dinheiro, estelionato e crimes tributários que já causou um prejuízo estimado em R$ 3,8 milhões a bancos e empresas, além de combater indícios de vazamento de informações sigilosas e destruição de provas, o que atenta contra a integridade da Justiça e a confiança da sociedade na lei.
A prisão do empresário foi efetuada em um condomínio de alto padrão no bairro Emaús, em Parnamirim, na Grande Natal. Além da detenção, os policiais civis cumpriram dois mandados de busca e apreensão, ambos expedidos pela Justiça.
Esta nova etapa da Operação Amicis é um desdobramento da investigação iniciada em junho de 2025, focada em crimes tributários, fraude patrimonial, estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Na primeira fase, empresários, influenciadores e contadores foram alvos da ação, que resultou no bloqueio judicial de R$ 150 milhões e no cumprimento de 53 mandados de busca. Bens de luxo, como lanchas, motorhomes e carros de alto valor, foram apreendidos na ocasião, revelando a grandiosidade da fraude.
De acordo com a Polícia Civil, a análise pericial de aparelhos eletrônicos apreendidos na primeira fase trouxe à tona novos elementos cruciais para a investigação. Entre as descobertas, há fortes indícios de vazamento de informações sigilosas sobre a própria operação policial.
As investigações apontam que os alvos podem ter recebido informações antecipadas sobre as medidas cautelares antes do início oficial da operação. Além disso, os peritos identificaram a destruição de provas digitais logo após o suposto vazamento, como a exclusão de mensagens e registros de comunicação. Contudo, parte significativa desses dados foi recuperada por meio de perícia técnica especializada.
Com base nessas novas evidências, a Polícia Civil solicitou à Justiça a concessão de novas medidas cautelares, incluindo a prisão temporária de um dos principais investigados.
Os investigadores apontam ainda que, além dos crimes já apurados, surgiram indícios de possíveis delitos contra a administração pública e contra a administração da Justiça, intensificando a gravidade do esquema.
O grupo criminoso é suspeito de uma série de ilícitos, incluindo fraude bancária, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração de veículos no estado. Em março de 2026, o Ministério Público ofereceu denúncia contra 16 pessoas que teriam provocado um prejuízo estimado em R$ 3,8 milhões a bancos e empresas administradoras de consórcios.
Segundo o MP, um casal é apontado como a liderança do esquema, respondendo individualmente por 65 crimes de falsidade ideológica e 17 crimes de estelionato. Eles seriam os responsáveis por coordenar a criação de dezenas de empresas de fachada, com o objetivo de ocultar patrimônio e lesar credores. "O esquema focava na obtenção de vultosos empréstimos e no financiamento de veículos pesados e de luxo que jamais eram quitados", detalhou o Ministério Público.
Um contador, peça técnica indispensável para a manutenção da fraude, foi denunciado pelo MP por 42 crimes de falsidade ideológica, além de associação criminosa. As investigações indicam que ele se valia de sua prerrogativa profissional para forjar documentos societários, inserir dados falsos em sistemas públicos e fabricar faturamentos milionários inexistentes, induzindo instituições financeiras a erro.
Outros núcleos do esquema também foram identificados. Um suspeito atuava como um dos operadores financeiros estratégicos, encarregado da circulação de valores ilícitos por meio de talões de cheques e transferências entre empresas de fachada. O núcleo dos "laranjas", por sua vez, era composto por indivíduos que cederam nomes e CPFs para a abertura de empresas e a aquisição de bens. Em muitos desses casos, eram pessoas de baixa renda que recebiam promessas de recompensa para participar da fraude, tornando-se vítimas e cúmplices de um ciclo de manipulação.
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