VIOLÊNCIA CONTRA MULHER
Polícia Civil do RN registra mais de 8 mil casos de violência contra a mulher entre janeiro e maio de 2026
Apesar de leve queda no total, crimes graves como feminicídio e descumprimento de medidas protetivas aumentaram no período.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte contabilizou 8.042 ocorrências de violência contra a mulher entre janeiro e maio de 2026. Os dados, divulgados pela Coordenadoria de Informações Estratégicas e Análises Criminais (COINE), indicam uma ligeira redução de 1,13% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registradas 8.134 situações. Contudo, especialistas alertam que o cenário ainda exige atenção redobrada, especialmente pelo aumento de crimes mais graves.
A advogada Sâmoa Martins, especialista no combate à violência contra a mulher, ressalta a gravidade do quadro. “Mesmo com uma pequena redução no número total de registros, ainda estamos falando de mais de oito mil mulheres que procuraram ajuda ou tiveram coragem de denunciar algum tipo de violência em apenas cinco meses. Isso mostra que o problema permanece extremamente grave e precisa ser tratado como prioridade”, afirma.

Os tipos de violência mais recorrentes foram ameaça (2.293 casos), lesão corporal (1.418) e injúria (1.314). Esses números evidenciam a persistência da violência psicológica e física na vida de muitas potiguares.
Um fator preocupante é o crescimento de indicadores de violência mais severa. Houve aumento nos registros de descumprimento de medidas protetivas de urgência (de 582 para 636, um acréscimo de 9,28%), violência psicológica contra a mulher (de 361 para 390, +8,03%), dano (de 370 para 386, +4,32%), violação de domicílio (de 108 para 125, +15,74%), importunação sexual (de 61 para 76, +24,59%), tentativa de feminicídio (de 27 para 31, +14,81%) e feminicídio (de 10 para 11, +10%). Um dado novo e alarmante é o aumento da violência psicológica mediante uso de inteligência artificial ou recursos tecnológicos, que passou de quatro para cinco registros (+25%).
Sâmoa Martins destaca que o aumento nos casos de descumprimento de medidas protetivas e feminicídios demonstra o desrespeito dos agressores às decisões judiciais e o risco iminente às vítimas. "O crescimento das tentativas de feminicídio e dos feminicídios reforça a necessidade de fortalecer a rede de proteção e garantir uma resposta rápida das autoridades”, enfatiza a advogada.
A especialista também alerta para a expansão da violência psicológica, agora potencializada pela tecnologia. “A violência contra a mulher não começa, necessariamente, com agressões físicas. Ela costuma surgir por meio de ameaças, humilhações, perseguição, controle e manipulação emocional. Hoje, esse tipo de violência também acontece no ambiente digital, com o uso de inteligência artificial e outras ferramentas capazes de manipular imagens, vídeos e áudios”, explica.
Ela conclui enfatizando a importância do reconhecimento dos sinais e da busca por ajuda. “É fundamental que as mulheres reconheçam esses sinais e procurem ajuda o quanto antes. Nenhuma mulher deve enfrentar essa situação sozinha. A Lei Maria da Penha oferece mecanismos importantes de proteção, como as medidas protetivas de urgência. Além disso, familiares, amigos, vizinhos e toda a sociedade têm um papel fundamental ao denunciar situações de violência e apoiar as vítimas.”
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