INTOLERÂNCIA NO ENSINO

Polícia Civil de Minas Gerais investiga denúncia de intolerância religiosa contra professor

Fachada representativa de instituição educacional.
O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Investigação de Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas (Decrin).

A Delegacia Especializada de Investigação de Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas apura relatos de discriminação contra docente em Belo Horizonte.

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito policial para apurar denúncias de intolerância religiosa e discriminação envolvendo o professor Ossama Abdulláh da Silva Souza de Medeiros, de 29 anos, contra o Colégio Pégaso, localizado em Belo Horizonte. A decisão de investigar o caso, que tramita na Delegacia Especializada de Investigação de Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas (Decrin), foi oficializada após o registro da ocorrência e importa por tocar diretamente no direito fundamental ao exercício da fé e na dignidade do ambiente acadêmico, nesta segunda-feira, 13/07/2026.

Relatos de discriminação

Conforme apurado pela coluna Na Mira, do Metrópoles, o docente, muçulmano e descendente de palestinos, relatou uma série de episódios discriminatórios durante sua atuação na unidade Kennedy, situada em Venda Nova. Ossama Abdulláh da Silva Souza de Medeiros afirma ter sido submetido a humilhações, incluindo ser chamado de “terrorista” e comparado a Osama Bin Laden por alunos, sem que a gestão da unidade escolar intervisse para coibir tais atos.

O educador detalha que, em fevereiro, foi orientado a não utilizar vestimentas pretas sob a justificativa de evitar associações com sua religião. O ápice do conflito teria ocorrido em 13 de abril de 2026, quando coordenadores teriam questionado sua origem, afirmando que sua identidade não se alinharia aos princípios da instituição. O desligamento, classificado por ele como retaliatório, ocorreu no dia 14 de abril de 2026.

Posicionamentos e apuração

O Ministério Público de Minas Gerais (MPGM), por meio da Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, acompanha o desdobramento das investigações para assegurar que as garantias individuais sejam preservadas. Em nota, a defesa do professor reitera a confiança nas instituições brasileiras e no funcionamento do sistema de Justiça para o esclarecimento da verdade.

Por sua vez, o Colégio Pégaso nega categoricamente as acusações de preconceito religioso. Em esclarecimentos anteriores, a escola pontuou que o encerramento do contrato de trabalho ocorreu ao final do período de experiência, fundamentado estritamente em critérios técnicos e institucionais. A instituição afirma ter adotado providências administrativas internas diante de relatos recebidos e ressalta que os procedimentos seguem sob sigilo.

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