CRÉDITO AO AGRONEGÓCIO
Plano Safra 2025/26 movimenta R$ 494,4 bilhões em crédito, aponta ABDE
Levantamento da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) revela aumento de 2% nas operações e destaca protagonismo do Sistema Nacional de Fomento na concessão de recursos equalizados.
Um total de R$ 494,4 bilhões em concessões de crédito foram movimentados pelo Plano Safra 2025/26 entre julho de 2025 e maio de 2026, com a formalização de 2,31 milhões de contratos. O dado foi divulgado nesta terça-feira, 30/06/2026, pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE). A análise aponta um crescimento de 2% no número de operações em comparação com o mesmo período da safra anterior, evidenciando a contínua demanda por investimento e fomento no setor agropecuário.
Na agricultura empresarial, excluindo o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), as concessões alcançaram R$ 433 bilhões. Este levantamento foi apresentado no mesmo dia em que o governo federal lançou o Plano Safra 2026/27, com previsão de R$ 525,1 bilhões para o setor.
Os financiamentos voltados à industrialização apresentaram o maior avanço, com um crescimento expressivo de 57% na comparação anual, totalizando R$ 33,2 bilhões. As operações com Cédula de Produto Rural (CPR) também mantiveram trajetória de expansão, movimentando R$ 185,2 bilhões, um aumento de 8% em relação ao ciclo anterior. O crédito de custeio representou R$ 165,8 bilhões, enquanto os financiamentos para investimento somaram R$ 77,6 bilhões e as operações de comercialização atingiram R$ 32,8 bilhões.
O levantamento da ABDE ressalta o papel central das instituições do Sistema Nacional de Fomento (SNF) na execução das linhas de crédito com juros equalizados pelo Tesouro Nacional. Dos R$ 48,88 bilhões contratados nessa modalidade para a agricultura empresarial até maio de 2026, impressionantes R$ 47,3 bilhões, o que corresponde a 96,7%, foram concedidos por bancos e agências integrantes do SNF.
A predominância do SNF se estende à programação dos recursos equalizados. Das disponibilidades de R$ 91,37 bilhões previstas para a safra, R$ 87,3 bilhões, ou 95,6% do total, ficaram sob responsabilidade dessas instituições. Nas linhas de custeio e investimento, o sistema foi responsável por R$ 25 bilhões e R$ 21,8 bilhões em concessões, respectivamente.
Entre os agentes financeiros, o Banco do Brasil liderou o volume de operações com recursos equalizados, concedendo R$ 14,54 bilhões. Na sequência, aparecem Sicredi (R$ 8,62 bilhões), BNDES (R$ 8,26 bilhões), Sicoob (R$ 8,06 bilhões), Cresol (R$ 3,67 bilhões) e Caixa Econômica Federal (R$ 2,28 bilhões).
O Banco do Nordeste informou ter destinado R$ 31 bilhões à agricultura empresarial e outros R$ 20,2 bilhões à agricultura familiar durante o Plano Safra 2025/26, operando principalmente com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Este volume representou 48% de todo o crédito rural contratado em sua área de atuação, que abrange os estados nordestinos, além de partes de Minas Gerais e do Espírito Santo.
Para Cristiane Viturino, diretora executiva em exercício da ABDE, os resultados demonstram que o sucesso do Plano Safra transcende o montante anunciado pelo governo, dependendo intrinsecamente da capacidade operacional das instituições financeiras em converter os recursos programados em crédito efetivamente disponível para os produtores. "O Plano Safra é uma das mais importantes políticas públicas para o desenvolvimento do país, mas seu sucesso depende da capacidade de transformar os recursos anunciados em crédito efetivamente contratado. Os números mostram que o Sistema Nacional de Fomento cumpre esse papel com capilaridade, conhecimento das diferentes realidades regionais e compromisso com o desenvolvimento da agropecuária brasileira", destacou.
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