JORNADA DE TRABALHO

Planalto teme efeito eleitoral negativo com transição na PEC 6x1 sobre jornada de trabalho

Presidente Lula em discurso no Palácio do Planalto.
Lula, presidente da República, em evento no Planalto. / Foto: Metrópoles

Governo receia que trabalhadores se sintam enganados caso a PEC 6x1 seja aprovada com regras de transição que adiem a redução imediata da carga horária para 40 horas semanais.

O debate em torno de um período de transição para a redução da jornada de trabalho na PEC 6x1 gerou um alerta no Palácio do Planalto. Auxiliares do presidente Lula, que pediram anonimato, expressaram preocupação com os potenciais efeitos políticos e eleitorais negativos caso a proposta seja aprovada com essa ressalva. O receio é que os trabalhadores se sintam enganados, semelhante ao que ocorreu com o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda, que demorou a ser percebido pela população e impactou a percepção pública. Nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, o governo busca viabilizar a redução da jornada sem atrasos que frustrem as expectativas.

O que está em jogo na PEC 6x1

O texto em negociação, coordenado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prevê a adoção imediata da escala 5x2 e a redução gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais. A proposta inicial estabelece que a primeira hora seria reduzida em até 90 dias após a promulgação da PEC. As três horas restantes seriam cortadas progressivamente até 2029, com uma hora a menos por ano.

Um consenso no governo se restringe ao período de adaptação de três meses. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defende a aprovação da PEC sem qualquer regra de transição. Sua pasta argumenta que a redução da carga horária para 40 horas semanais não impediria o cumprimento de 44 horas de trabalho, desde que as horas excedentes fossem pagas como extras.

A transição mais longa para a diminuição da jornada é uma demanda do setor empresarial, que alega a geração de custos adicionais com a implementação imediata. Em contrapartida, o Ministério do Trabalho busca negociar a mudança no menor prazo possível. A decisão final sobre a estrutura da PEC 6x1 caberá ao presidente Lula, que, segundo relatos, também se opõe à transição prolongada.

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