PL CONTRA MISOGINIA
PL da Misoginia avança na Câmara com debates sobre direitos e liberdade religiosa
Projeto equipara misoginia ao crime de racismo, com penas de até cinco anos de reclusão. Deputados buscam consenso antes do recesso parlamentar, mas divergências sobre liberdade de expressão persistem.
A Câmara dos Deputados se prepara para discutir e votar o Projeto de Lei (PL) da Misoginia, após a aprovação de seu regime de urgência na última quarta-feira, 1º de maio. A proposta, que visa criminalizar a misoginia e equiparar o ato ao crime de racismo, busca consolidar um consenso entre os parlamentares para sua aprovação antes do recesso parlamentar, previsto para iniciar em 18 de julho.
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que coordenou o grupo de trabalho para debater o texto e pode assumir a relatoria, tem se empenhado em articular o apoio necessário, visando alcançar ao menos 257 votos favoráveis. O projeto define misoginia como "a prática, a indução ou a incitação de violência, de restrição ao pleno exercício de direitos ou de ofensa à dignidade da mulher, em razão da condição de mulher". As penas previstas variam de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, com a pena em dobro se o crime ocorrer no contexto de violência doméstica e familiar.
A proposta, originada a partir de um texto aprovado no Senado em março, de autoria da senadora Ana Paulo Lobato (PSB-MA), estabelecia a misoginia como "conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres". A versão atual, trabalhada no grupo de trabalho da Câmara, recebeu apoio massivo, mas enfrenta críticas de deputadas da oposição. Julia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF) argumentam que o texto pode abrir margem para a criminalização de pensamentos e doutrinas religiosas, impactando a liberdade de expressão.
Críticos levantam preocupações de que manifestações ligadas a trechos bíblicos que abordam a submissão da mulher possam ser enquadradas no novo tipo penal. A aprovação da urgência contou com 293 votos a favor e 158 contra, evidenciando a polarização do debate.
Em defesa da proposta, aliados lembram de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) julgada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2019. A decisão reconheceu a homotransfobia como parte dos crimes da Lei do Racismo e destacou que a repressão penal à misoginia não restringe a liberdade religiosa, desde que as manifestações não configurem crime de ódio. Essa argumentação pode ser chave para convencer parlamentares indecisos.
Como tramita em regime de urgência, o PL da Misoginia seguirá diretamente para votação em plenário, sem necessidade de passar pelas comissões. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), comprometeu-se a pautar a matéria antes do recesso, caso haja acordo. Se aprovado com alterações, o texto retornará ao Senado para nova análise e, posteriormente, seguirá para sanção presidencial.
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