INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO
PGR recebe pedido para investigar Mario Frias por suspeita de rachadinha
Deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) acusa Mario Frias (PL-SP) de desvio de recursos públicos e pede apuração de crimes como peculato e lavagem de dinheiro.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu um pedido do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) para investigar o também deputado Mario Frias (PL-SP) por suspeitas de rachadinha em seu gabinete. A decisão de solicitar a apuração ocorreu em função de reportagem do g1, publicada na sexta-feira, 22 de maio de 2026, que revelou comprovantes e extratos bancários. A investigação é crucial para garantir a probidade no uso do dinheiro público e a dignidade de servidores.
O pedido do PSOL foi formalizado após a divulgação de que uma ex-funcionária do gabinete de Frias na Câmara dos Deputados teria feito diversos repasses ao então chefe de gabinete e pagamentos diretos para familiares do parlamentar. Essa prática, conhecida como rachadinha, consiste na apropriação indevida de parte dos salários de assessores parlamentares.
A ex-secretária parlamentar Gardênia Morais, que trabalhou no gabinete de Frias entre fevereiro de 2023 e maio de 2024, declarou à reportagem que devolvia parte de seus rendimentos "todos os meses", e que outros funcionários também compartilhavam dessa prática. Essa confissão reforça a gravidade das suspeitas que recaem sobre o deputado.
Diante das evidências, Chico Alencar apontou a possível ocorrência de crimes como peculato (desvio de recurso público), concussão, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A apuração desses delitos visa coibir abusos e assegurar a correta aplicação dos recursos destinados ao funcionalismo.

Conforme detalhado na representação ao Ministério Público, entre fevereiro de 2023 e março de 2024, Gardênia realizou transferências que somam R$ 35.116. Os repasses foram direcionados ao então chefe de gabinete Raphael Azevedo, à sua ex-esposa e a outra parente dele, sempre em datas próximas ao recebimento de sua remuneração.
Raphael Azevedo atuou como chefe de gabinete de Mario Frias de fevereiro de 2023 a fevereiro de 2024. A estrutura de verba de gabinete, que totaliza R$ 165,8 mil mensais, é destinada ao pagamento de funcionários e à manutenção das atividades parlamentares. A utilização para compelir assessores a devolverem salários ou custear despesas privadas de familiares configura grave desvio de finalidade.
O caso foi encaminhado à PGR devido à prerrogativa de foro do deputado federal Mario Frias no Supremo Tribunal Federal (STF). O órgão, sob chefia de Paulo Gonet, analisará a possibilidade de apresentar uma denúncia formal.
Procurado pela reportagem na sexta-feira (22) e nesta segunda-feira (25), Mario Frias, por meio de seu atual chefe de gabinete, ainda não se manifestou sobre as suspeitas. A ausência de resposta levanta questionamentos sobre a transparência e o compromisso com a ética.
As investigações preliminares indicam transferências via PIX de uma conta da ex-funcionária para Raphael Azevedo, sua ex-mulher e outra parente. Entre os comprovantes detalhados estão PIX de R$ 4.600 em fevereiro de 2023 e R$ 5.000 em março de 2023 para Azevedo, além de pagamentos para a ex-mulher e outros familiares do ex-chefe de gabinete.
A investigação também apura repasses para familiares do parlamentar. Um comprovante mostra um PIX de R$ 1.000 feito por Gardênia Morais em 29 de janeiro de 2024 para Maria Lucia Frias, mãe do deputado. Outro documento revela que, em dezembro de 2023, a ex-funcionária pagou uma fatura do cartão de crédito de Juliana Frias, esposa do parlamentar, no valor de R$ 4.832,32.
A ex-funcionária também teria sacado R$ 49.999,99 em dinheiro vivo em 27 de março de 2024, afirmando ter entregue o valor, mas sem especificar o destinatário. Gardênia Morais relatou que seu salário, que atingia cerca de R$ 20 mil, era gradualmente reduzido, restando-lhe entre R$ 6 mil e R$ 7 mil mensais. Ela afirmou que o deputado "sabia, o deputado estava ciente de todas as devoluções" e que as tratativas diárias ocorriam com Raphael Azevedo.
Além disso, extratos bancários indicam que a ex-secretária parlamentar contraiu cinco empréstimos consignados totalizando R$ 174,8 mil. Segundo ela, apenas um foi para uso pessoal; os outros, cerca de R$ 140 mil, foram feitos a pedido de Mario Frias e Raphael Azevedo para quitar dívidas de campanha de 2022. Esses empréstimos permanecem em aberto, impactando sua situação financeira atual, a ponto de residir de favor.
O atual chefe de gabinete de Mario Frias, Diego Ramos, declarou desconhecer as suspeitas, pois assumiu a função após o período em questão, e expressou convicção de que Frias também não teria conhecimento. Para Ramos, a situação seria uma tentativa de "ex-funcionários aproveitando a situação midiática". Raphael Azevedo, ex-chefe de gabinete, não se manifestou.
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