ESQUEMA NO STJ
PGR denuncia nove suspeitos de vender sentenças no STJ
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra nove investigados por suspeita de participação em um esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os acusados responderão por crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e organização criminosa.
Nove pessoas foram denunciadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sob suspeita de integrar um esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A denúncia, apresentada nesta quinta-feira, 28/05/2026, aponta que os acusados responderão por crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e organização criminosa, segundo o Ministério Público Federal. A decisão impacta a confiança na justiça e na integridade das decisões judiciais, afetando a dignidade de todos que buscam a aplicação equitativa da lei.
Entre os denunciados estão ex-servidores do STJ: Márcio José Toledo Pinto, que atuava no gabinete da ministra Nancy Andrighi, e Daimler Alberto de Campos, ex-chefe de gabinete da ministra Isabel Galotti. Até o momento, a investigação não aponta ministros da Corte como investigados.

A acusação também inclui o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e sua esposa, a advogada Mirian Gonçalves. Supostos operadores financeiros associados ao grupo e indivíduos que teriam se beneficiado de decisões judiciais sob suspeita também foram incluídos na lista de denunciados.
De acordo com a PGR, a estrutura criminosa teria operado entre os anos de 2019 e 2023.
O caso teve origem na Operação Sisamnes, deflagrada para investigar possíveis irregularidades no funcionamento interno do STJ. As apurações indicam acesso antecipado a minutas de votos de ministros, influência indevida na distribuição de processos e articulações para direcionar resultados em ações consideradas estratégicas. Esses fatos, se comprovados, minam a imparcialidade e a segurança jurídica, pilares essenciais do Estado Democrático de Direito.
Um relatório da Polícia Federal, citado na investigação, descreve a existência de um "mercado paralelo de influência" dentro da Corte. A organização criminosa seria dividida em três frentes: servidores do tribunal, advogados e intermediários, e empresários, com foco principal em setores como o agroindustrial.
A investigação sugere que contratos milionários teriam sido firmados para garantir decisões previamente negociadas, substituindo a tramitação técnico-jurídica regular por acordos ilícitos nos bastidores do tribunal. Tal prática atenta contra a isonomia processual e a moralidade administrativa.
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