JUSTIÇA SEM BRECHAS

PF e PGR exigem mais de Daniel Vorcaro para delação do Banco Master

Banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, busca acordo de delação premiada com as autoridades.

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República consideraram insuficiente a primeira proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e cobram conteúdo inédito e provas robustas. Novos anexos foram entregues nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, e serão analisados nas próximas semanas, enquanto a PF continua a perícia de oito celulares.

A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram o conteúdo preliminar da proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os órgãos exigiram mais informações do investigado para que o acordo avance, devido à insuficiência e à falta de novidade nas revelações iniciais. Esta decisão impacta diretamente a busca por justiça e transparência em uma investigação que abala o setor financeiro, reforçando a seriedade das autoridades em desvendar a verdade por trás de crimes que afetam a dignidade da sociedade.

Em resposta a essa cobrança, a defesa de Vorcaro apresentou novos anexos com o conteúdo da delação nesta terça-feira, 5 de maio de 2026. Os investigadores planejam analisar esses documentos nas próximas semanas.

No dia anterior, segunda-feira, 4 de maio de 2026, os advogados do banqueiro já haviam participado de uma breve reunião com a PGR e a PF, entregando um arquivo com a descrição sumária dos anexos, que detalham os termos da delação.

Os termos de delação premiada são declarações detalhadas feitas pelo investigado que busca um acordo de colaboração. Agora, os investigadores analisam o material para determinar se ele traz informações inéditas e se o proponente consegue apresentar provas concretas para sustentar suas alegações. As autoridades preveem que essa análise levará tempo, pois policiais ainda examinam celulares de Daniel Vorcaro.

A proposta preliminar de delação, apresentada há cerca de duas semanas, foi considerada fraca tanto pela Polícia Federal quanto pelos procuradores envolvidos na investigação. A avaliação inicial indicou que o conteúdo não adicionava novidades significativas ao que já havia sido apurado durante o inquérito da "Operação Compliance Zero", que resultou na primeira prisão de Vorcaro, apresentando situações e diálogos já conhecidos pelos investigadores.

Segundo fontes próximas às investigações, Vorcaro não mencionou nomes que estariam no topo da hierarquia da organização, cujo envolvimento já teria sido identificado pelas autoridades. A PF e a PGR fizeram diversos apontamentos, exigindo maior profundidade nas informações.

A entrega dos anexos, portanto, representa uma resposta direta a essa cobrança. É comum, no processo de delação, que as autoridades recusem o conteúdo inicialmente proposto pela parte investigada, buscando maior efetividade e veracidade.

Os investigadores reiteram que precisarão de tempo para analisar o conteúdo dos termos da delação após a formalização. Enquanto isso, não há negociação de delação premiada em andamento com a defesa do pastor Fabiano Zettel, apontado como braço-direito do banqueiro.

A análise dos celulares de Vorcaro ainda não foi concluída. A PF apreendeu oito aparelhos do banqueiro, e a extração de dados ocorre em Brasília, São Paulo e Minas Gerais. O celular principal, já periciado, continha cerca de 400 gigabytes e 8 mil vídeos. Aparelhos utilizados posteriormente, durante a prisão domiciliar de Vorcaro no fim do ano passado, não agregaram elementos importantes à investigação, segundo interlocutores.

A perícia ainda tenta extrair o conteúdo de um dos aparelhos. A análise completa desses dados é crucial para confrontar os termos que Vorcaro apresentará em sua tentativa de acordo. Interlocutores da negociação afirmam que o conteúdo precisará ser contundente para que a delação seja efetiva e aceita.

No mês passado, a Polícia Federal ampliou a equipe responsável pela análise do material apreendido com o banqueiro Daniel Vorcaro. Novos delegados, peritos, agentes e escrivães foram convocados para reforçar a investigação e agilizar o processo.

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