PERITO CRIA ARQUIVOS SUSPEITOS

PF aponta que perito criou arquivos com referências a Moraes e Toffoli em investigação sobre Vorcaro

Fachada da sede da Polícia Federal em Natal.
Sede da Polícia Federal em Natal. (Foto: Ilustrativa)

Investigação da Polícia Federal indica que perito criminal João Cláudio Nabas produziu documentos com menções aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, utilizando dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O caso segue sob supervisão do STF.

A Polícia Federal comunicou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter identificado a criação de dois arquivos com referências aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli por parte do perito criminal João Cláudio Nabas. Os documentos, intitulados "Moraes.pdf" e "Toffoli e esposa.pdf", foram produzidos a partir de dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, em 1º de dezembro de 2025. Três dias depois, Nabas elaborou os arquivos reunindo mensagens e menções aos ministros encontradas no aparelho. Esta descoberta integra um inquérito aberto por ordem do STF para apurar suposto vazamento de informações sigilosas.

A investigação da PF aponta ainda que o perito teria sugerido a outros integrantes da corporação o envio do conteúdo à imprensa, uma proposta que não foi aceita pela equipe responsável pela operação. Posteriormente, partes das informações relacionadas ao caso acabaram sendo divulgadas por veículos de comunicação, o que levanta sérias questões sobre a integridade do processo investigativo e o potencial impacto na dignidade das pessoas envolvidas e na confiança pública nas instituições.

Um dos arquivos em questão reunia trechos de conversas e documentos que citavam a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com informações sobre contratos ligados ao Banco Master. O outro documento continha referências ao ministro Dias Toffoli e a relações comerciais envolvendo pessoas próximas a ele. A forma como essas informações foram compiladas e potencialmente direcionadas levanta preocupações sobre o uso ético de dados e o respeito à privacidade.

Os investigadores afirmam que a análise dos registros do sistema da própria PF indica que Nabas organizou os dados e direcionou esforços para identificar conteúdos ligados aos magistrados, extrapolando o objetivo original da investigação. O perito também teria enviado áudios sugerindo a divulgação das informações, o que agrava a suspeita de conduta inadequada e pode ter implicações na condução de futuras apurações e na proteção dos direitos individuais.

Diante dos episódios, o servidor foi afastado de suas atividades na operação e teve seu acesso aos dados restrito. A investigação, que busca apurar a conduta do perito e os possíveis desdobramentos de suas ações, segue sob análise do STF. A Corte é responsável por autorizar e supervisionar apurações envolvendo ministros do tribunal, garantindo o devido processo legal e a aplicação da justiça, especialmente em casos que envolvem o foro por prerrogativa de função.

Com informações do Estadão.

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