INVESTIGAÇÃO SOB CORRUPÇÃO

PF aponta padrão em esquema de propina de Daniel Vorcaro a Jaques Wagner e ex-BRB

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF).
Investigação Compliance Zero aponta similaridades em transações imobiliárias suspeitas.

Documentos revelam uso de empresas de fachada e fundos de investimento para mascarar repasses milionários destinados a figuras políticas e ex-executivos.

A Polícia Federal identificou padrões operacionais idênticos no pagamento de propinas atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, envolvendo tanto o senador Jaques Wagner quanto o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A conclusão da corporação foi revelada na quinta-feira (30), após o ministro do STF, André Mendonça, levantar o sigilo de documentos da investigação Compliance Zero.

As apurações concentram-se na compra de um apartamento destinado ao usufruto de Jaques Wagner. Segundo a PF, o fluxo financeiro foi desenhado para ocultar a verdadeira origem dos valores e o beneficiário final, replicando o modelo já observado no caso envolvendo Paulo Henrique Costa. O esquema utiliza fundos de investimento para direcionar capital a pessoas jurídicas de fachada — formalmente estruturadas como S.A. ou SPE — que facilitam a dissimulação dos responsáveis.

No caso do imóvel vinculado ao senador, os investigadores apontam que recursos do fundo HOCKENHEIM, administrado pela REAG, foram transferidos para a Epítome S.A., empresa utilizada como intermediária na aquisição. Documentos indicam que, pouco antes da compra, a Epítome S.A. passou por um aumento de capital social de R$ 100,00 para R$ 2 milhões, montante integralmente subscrito pelo fundo Hockenheim.

A recorrência do padrão é reforçada pela presença de nomes de supostos laranjas, já citados anteriormente na investigação contra o ex-BRB, no quadro societário de empresas associadas aos operadores de Daniel Vorcaro. A Polícia Federal sustenta que a Epítome S.A. funcionou meramente como um veículo de interposição, servindo aos interesses de ocultação de patrimônio e lavagem de ativos. O processo segue sob análise do STF, com as partes ainda podendo exercer seus direitos de defesa e apresentar recursos no curso das investigações.

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