FRAUDE NO INSS
PF alega falta de agentes e pede mais prazo para analisar material da Operação Sem Desconto
Polícia Federal solicita ampliação do prazo ao ministro do STF André Mendonça para concluir análise de material apreendido na operação que investiga desvio de recursos públicos.
A Polícia Federal (PF) comunicou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a necessidade de mais tempo para finalizar a análise do vasto material apreendido na Operação Sem Desconto. A investigação, que apura um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), teve seu prazo de conclusão estendido diante das dificuldades operacionais enfrentadas pela corporação. A decisão, tomada por Mendonça, impacta diretamente a celeridade das apurações sobre o desvio de verbas públicas, um tema de grande relevância para a sociedade que anseia por justiça e pela recuperação dos recursos lesados.
A etapa crítica da análise inclui a avaliação detalhada sobre a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Essa medida, autorizada pelo próprio Mendonça em fevereiro, é fundamental para o avanço da investigação. A informação foi divulgada pela Folha de São Paulo.
Originalmente, Mendonça havia estabelecido um prazo de 60 dias para que a PF concluísse o exame de celulares, HDs e pen drives recolhidos. A cobrança do ministro refletiu sua insatisfação com a lentidão percebida nas investigações, buscando garantir que a apuração não estagnasse e preservasse sua força.
Em resposta, a PF informou ao STF que, no dia 9 de junho de 2026, esperava concluir a análise do material apreendido dos presos em até 30 dias. Contudo, para os demais investigados, a corporação projetou a necessidade de até seis meses adicionais, evidenciando a complexidade e o volume de dados a serem processados.
O principal argumento apresentado pela polícia para a solicitação de mais tempo é a carência de agentes dedicados à operação. Atualmente, apenas 11 policiais estão alocados, enquanto a estimativa inicial apontava a necessidade de mais de 40. Do expressivo total de cerca de 1.700 itens apreendidos, a análise encontra-se aproximadamente 40% completa, demonstrando o desafio logístico e humano.
Além da questão da força de trabalho, Mendonça também requisitou que a PF mantivesse a equipe de investigação original e apresentasse justificativas formais para eventuais trocas de pessoal. A corporação comunicou que o delegado responsável pelo caso precisou se afastar por motivos pessoais, o que também gerou a necessidade de ajustes na equipe e impactou o andamento.
Em uma reestruturação para otimizar o trabalho com casos que tramitam no STF, o órgão já havia transferido a apuração da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores. A mudança visa adequar a investigação à estrutura especializada para lidar com processos da mais alta corte do país.
Paralelamente, a negociação para um acordo de delação premiada com o empresário Maurício Camisotti segue em andamento entre a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Não há atualizações sobre as buscas por Carlos Roberto Ferreira Lopes, considerado foragido e apontado como um dos líderes do esquema fraudulento na Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer).
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