CÂMBIO DECISIVO

Petrobras vê lucro cair 7,2% com Real valorizado no 1º trimestre de 2026

Edifício da Petrobras em centro urbano, com foco na fachada e logotipo da empresa.
Sede da Petrobras em um dia ensolarado, simbolizando a complexidade do mercado de energia.

Estatura perde R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre. Lucinda Pinto analisa impacto do câmbio e do cenário global.

A Petrobras registrou uma queda de 7,2% em seu lucro líquido do primeiro trimestre de 2026, atingindo R$ 32,7 bilhões, segundo os resultados divulgados nesta terça-feira, 12 de maio de 2026. A valorização do Real frente ao dólar foi apontada como o principal motivo para a retração, uma dinâmica cambial que impacta diretamente a receita da estatal, majoritariamente em dólar, e, consequentemente, a percepção de seus resultados por acionistas e pelo mercado.

Segundo a analista de Economia Lucinda Pinto, essa dinâmica cambial é, de fato, desfavorável à Petrobras. Mesmo com a valorização do Real no primeiro trimestre, a receita da companhia é denominada em dólar, o que naturalmente se traduz em um resultado menos expressivo ao ser convertido para a moeda nacional. "Naturalmente, acaba desfavorável para ela quando a gente vê uma valorização do câmbio", explicou Lucinda ao CNN Prime Time desta segunda-feira, 11 de maio de 2026, contextualizando a situação que afeta diretamente a saúde financeira da empresa.

Importante ressaltar que, ao desconsiderar os efeitos extraordinários, como a variação cambial, o lucro da Petrobras se manteve estável em R$ 23,8 bilhões em comparação ao primeiro trimestre do ano anterior. Esse dado evidencia a solidez operacional da empresa, sugerindo que o desempenho contábil foi substancialmente influenciado por fatores externos ao seu negócio principal, e não por uma deterioração de sua gestão ou produção.

Lucinda Pinto destacou ainda que o balanço do primeiro trimestre de 2026 abrangeu apenas um mês do período de guerra, iniciada no final de fevereiro. As projeções financeiras foram elaboradas com base em um preço médio do petróleo de US$ 80 por barril. Contudo, o cenário atual mostra um preço do petróleo "bem acima de US$ 100", conforme a analista, indicando uma defasagem entre o que foi projetado e a realidade de mercado.

Com o preço do petróleo operando em patamares significativamente superiores aos utilizados como referência no balanço, a expectativa é de resultados mais promissores nos próximos meses. "Muito provavelmente, o resultado virá bem mais positivo no segundo trimestre. A gente vai ver o efeito guerra positivo ainda mais para frente", concluiu Lucinda, sinalizando um horizonte de recuperação para a estatal e um possível alívio para os investidores.

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