ENERGIA NUCLEAR ESTRATÉGICA
Petrobras estuda reator nuclear para descarbonizar operações
A estatal considera instalar um pequeno reator modular (SMR) em refinaria, visando reduzir emissões de carbono em suas atividades.
A Petrobras avança em estudos para ingressar na geração de energia nuclear, um movimento que pode transformar sua matriz energética. A estatal planeja instalar um pequeno reator modular (SMR, na sigla em inglês) em uma de suas refinarias. A iniciativa tem como principal objetivo descarbonizar o consumo de eletricidade das operações, conforme apurou a CNN.
Fontes próximas ao assunto indicam que o equipamento teria capacidade instalada de aproximadamente 300 megawatts (MW). Em um primeiro momento, a unidade seria implementada em uma refinaria localizada no Estado do Rio de Janeiro. Em um horizonte de longo prazo, essa tecnologia nuclear poderá ser estendida para abastecer plataformas de petróleo e navios-plataforma (FPSOs), reduzindo significativamente o uso de combustíveis fósseis nas atividades offshore.
As tratativas para a eventual adoção dos reatores modulares já se encontram em estágio avançado. A Petrobras tem mantido reuniões com a ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear) para compreender e planejar os desafios regulatórios e os requisitos técnicos para a viabilização do empreendimento. Paralelamente, a companhia negocia e prepara a assinatura de parcerias com grandes empresas do setor nuclear.
Os SMRs (Small Modular Reactors) representam a nova geração da energia nuclear. São reatores de menor porte, com capacidade usual de até 300 MW por unidade, que exigem menor investimento inicial. Sua construção modular e a possibilidade de instalação próxima a grandes centros consumidores ou complexos industriais com alta demanda por energia os tornam uma aposta estratégica.
Se concretizado, este projeto marcará um passo inédito na estratégia de transição energética da Petrobras, expandindo sua atuação para além do petróleo, gás natural e fontes renováveis.
Essa movimentação ocorre em sintonia com o crescente interesse da Petrobras em minerais críticos e estratégicos, essenciais para o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono. Recentemente, a empresa assinou um protocolo de intenções com o BNDES focado em pesquisa, desenvolvimento e inovação nesse segmento, movimento interpretado pelo mercado como um primeiro passo para a entrada da companhia.
Entre os minerais estratégicos está o urânio, matéria-prima fundamental para a geração de energia nuclear. O urânio é classificado como crítico devido à sua importância para a segurança energética global, à concentração de sua produção mundial em poucos países e à expectativa de aumento na demanda impulsionada pela expansão da energia nuclear e dos próprios reatores modulares.
A eventual adoção de SMRs reforça o compromisso da Petrobras com a redução de emissões de carbono em suas operações. Refinarias, plataformas e FPSOs consomem volumes expressivos de energia elétrica. A substituição parcial dessa demanda por energia nuclear poderia resultar em uma redução substancial das emissões associadas às atividades da companhia.
Procurada, a Petrobras não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta reportagem. A ANSN informou, em nota, que está se preparando para o licenciamento deste tipo de equipamento, acompanhando os avanços tecnológicos por meio de capacitação e cooperação internacional permanente, buscando antecipar os novos desafios regulatórios.
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