DESCOBERTA GENÉTICA
Pesquisa identifica mutação em gene TP53 que impacta prognóstico de câncer de pulmão
Estudo brasileiro com mais de mil pacientes do SUS aponta que alterações no gene TP53 influenciam a escolha de tratamentos e o prognóstico da doença.
[ { "type": "paragraph", "props": {"content": "Uma pesquisa brasileira, publicada na revista The Lancet Regional Health Americas em abril de 2026, identificou que mutações no gene TP53 podem ter um papel crucial no prognóstico e na definição de terapias para o câncer de pulmão. A descoberta, fruto da análise de amostras tumorais de 1.131 pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em unidades do Hospital de Amor em Barretos (SP) e Porto Velho (RO), traz novas perspectivas para a oncologia de precisão." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "O estudo, que contou com o apoio da Fapesp, buscou compreender melhor a complexa natureza genética do câncer de pulmão, a doença mais comum e letal mundialmente. Ao analisar o perfil genético de tumores, a pesquisa observou que 88% dos pacientes apresentavam alguma alteração genética relevante. As mutações mais frequentes foram identificadas nos genes TP53 (58%), KRAS (25,6%), EGFR (20,6%) e ALK (6,6%)." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "Rui Manuel Reis, diretor científico do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital de Amor e um dos coordenadores do estudo, destaca a importância da análise de pacientes atendidos no dia a dia do SUS. "Isso nos permite entender melhor o que acontece na vida real", afirma. Essa abordagem amplia a aplicabilidade dos resultados e auxilia na orientação de decisões médicas mais alinhadas à rotina dos serviços de saúde públicos." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "O gene TP53, conhecido como "guardião do genoma", é fundamental na defesa celular e no reparo de danos no DNA. O estudo revelou uma associação entre mutações no TP53 e um prognóstico pior, especialmente em pacientes com alterações concomitantes no gene EGFR, que geralmente se beneficiam de terapias-alvo. "Mesmo recebendo o tratamento mais moderno [terapia EGR-alvo], pacientes com mutações no TP53 evoluíram pior", explica Reis." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "Essa constatação já começa a alterar a conduta no Hospital de Amor. A informação sobre mutações no TP53 passa a ser incorporada na rotina para auxiliar na escolha terapêutica, identificando pacientes que podem não responder tão bem a tratamentos convencionais e que poderiam ser candidatos ideais para ensaios clínicos." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "Apesar desses avanços, o acesso a testes genéticos mais abrangentes ainda é um desafio no Brasil. Atualmente, esses exames não são financiados pelo SUS, o que limita a aplicação da medicina de precisão. Embora a Conitec tenha aprovado o financiamento para verificação do gene EGFR, o estudo reforça a necessidade de análises de outros genes para garantir a adequação dos tratamentos, que podem custar entre R$ 20 mil e R$ 40 mil mensais." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "Os achados também podem subsidiar políticas públicas, indicando quais mutações são mais prevalentes na população brasileira e, assim, quais testes e terapias devem ser priorizados. Cerca de 12% dos pacientes estudados não apresentaram mutações conhecidas, sugerindo a existência de outros genes ainda não identificados, o que abre caminho para futuras investigações, incluindo a análise do genoma completo." } }, { "type": "paragraph", "props": {"content": "O desenvolvimento de terapias-alvo voltadas ao gene TP53 também é uma perspectiva promissora para ampliar as opções de tratamento. "Se conseguirmos reativar esse gene por meio de novos fármacos, podemos mudar o cenário para esses pacientes", conclui Reis, ressaltando o impacto da integração entre pesquisa e prática clínica na melhoria do cuidado aos pacientes." } } ]
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