FENÔMENO CLIMÁTICO RECORRENTE

Tornados no RS: entenda por que o estado é um dos mais afetados no mundo

Registro de funil de tornado sobre área rural no Rio Grande do Sul
Tornado observado no Rio Grande do Sul – Foto: Renan Bayer

Geografia e condições atmosféricas fazem do Rio Grande do Sul um corredor natural. Entenda o impacto histórico e os desafios da previsão meteorológica.

O tornado que atingiu o Noroeste do Rio Grande do Sul nesta semana trouxe à tona o debate sobre a vulnerabilidade do estado diante de fenômenos meteorológicos extremos. A ocorrência, que integra o histórico de desastres naturais da região, reforça que eventos desta magnitude fazem parte de um ciclo climático recorrente, conforme aponta o Atlas Digital de Desastres.

Desde 1991, foram registrados pelo menos 31 desastres associados a tornados em solo gaúcho. O impacto humano e financeiro é expressivo: cerca de 7,6 mil pessoas foram diretamente afetadas e os prejuízos materiais superam a marca de R$ 68 milhões. Em Giruá, o rastro de destruição deixou casas ao chão, árvores arrancadas e vidas perdidas, causando forte comoção entre os moradores.

"A gente não imagina que vai acontecer aqui próximo da gente, aqui no Rio Grande do Sul. É um fenômeno bem assustador", relata Daiane de Oliveira Nunes, assistente social que presenciou a instabilidade.

Corredor de tornados na América do Sul

O Rio Grande do Sul está localizado em uma zona estratégica do continente, frequentemente comparada à região central dos Estados Unidos devido à alta incidência de tornados. Este "corredor" se forma pelo encontro constante de massas de ar quente e úmido provenientes da Amazônia com o ar frio que avança do sul do continente.

O professor e climatologista da UFRGS, Francisco Eliseu Aquino, explica que a formação depende da presença de nuvens cumulonimbus, que ganham força com o contraste térmico. Quando os ventos mudam de direção e velocidade em diferentes altitudes, a tempestade entra em rotação, podendo atingir ventos superiores a 300 quilômetros por hora em poucos minutos.

Histórico e mudanças climáticas

O estado acumula memórias marcadas pela tragédia. Episódios em Antônio Prado (2003), Muitos Capões (2005), Tapejara e Erebango (2014), São Francisco de Paula (2017) e cidades do Norte gaúcho (2018) ilustram a severidade do fenômeno. Recentemente, em 2024, áreas rurais de Gentil e São Sepé também foram afetadas.

Para especialistas como o meteorologista da UFSM, Maurício Ilha de Oliveira, a crise climática é um fator de preocupação. O aquecimento da atmosfera aumenta a disponibilidade de umidade e intensifica correntes de jato, tornando as tempestades potencialmente mais destrutivas.

Desafio da previsão

Apesar do avanço tecnológico, prever o ponto exato de toque do tornado no solo permanece um desafio para a meteorologia global. Modelos indicam áreas de risco, mas a precisão local é limitada. Por isso, a orientação dos especialistas é clara: o acompanhamento rigoroso dos alertas meteorológicos é a ferramenta mais eficaz para a proteção da vida e a redução de danos.

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