ELEIÇÃO PRESIDENCIAL PERUANA

Peru vota neste domingo em disputa acirrada entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez

Peruanos votando em eleição presidencial.
Peruanos vão às urnas no domingo (7) em meio à crise política.

Disputa polarizada entre direita e esquerda decide futuro do país em meio a instabilidade política e desafios econômicos. Candidatos buscam a Presidência pela primeira vez após anos de turbulência.

Em um cenário marcado pela polarização e por uma década de instabilidade política, os peruanos vão às urnas neste domingo, 7 de julho de 2026, para escolher seu próximo presidente em um segundo turno acirrado. A decisão cabe aos eleitores definirem o comando do país entre a candidata de direita Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez, em uma votação que reflete a profunda divisão da sociedade peruana e a busca por soluções para crises persistentes. A importância desta escolha reside na necessidade de restaurar a confiança nas instituições e traçar um caminho de estabilidade para o Peru, que já enfrentou oito presidentes desde 2016.

Pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente indicam um empate técnico entre os dois candidatos. Um levantamento do instituto Ipsos, por exemplo, aponta Roberto Sánchez com 43,8% das preferências, ligeiramente à frente de Keiko Fujimori, com 43,2%. Contudo, a pesquisa também revela que cerca de 13% dos eleitores planejam votar em branco ou anular seu voto, indicando um eleitorado ainda indeciso ou descontente com as opções apresentadas.

Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, busca pela quarta vez o cargo máximo do Executivo. Sua plataforma se concentra no combate à criminalidade e na defesa do modelo econômico vigente. Para seus apoiadores, ela representa a promessa de estabilidade e segurança. Contudo, seus críticos associam sua imagem ao legado autoritário e às denúncias de corrupção que permearam o governo de seu pai, levantando preocupações sobre o respeito aos direitos democráticos e à transparência.

Por outro lado, Roberto Sánchez se apresenta como a voz das regiões rurais e dos setores menos favorecidos do país. Ex-ministro e congressista, ele advoga por reformas políticas e econômicas, incluindo a possibilidade de alterações na Constituição e um papel mais ativo do Estado na economia. Recentemente, Sánchez tem moderado seu discurso, buscando tranquilizar mercados ao afirmar que respeitará a independência do Banco Central e manterá a política de economia aberta do Peru, ao mesmo tempo em que busca ampliar investimentos e reduzir as desigualdades regionais.

A disputa presidencial tem repercussões diretas nos mercados financeiros. Na última sexta-feira, 5 de julho de 2026, a bolsa de valores de Lima registrou uma queda de mais de 4%, reflexo da apreensão dos investidores quanto a possíveis alterações na política econômica e no setor de mineração, crucial para o Produto Interno Bruto (PIB) peruano, que representa cerca de 12% da economia nacional. A mineração informal, ligada a aproximadamente 500 mil trabalhadores e responsável por metade das exportações de ouro, é um dos temas centrais que impactam a economia e o debate eleitoral.

Além dos desafios econômicos e políticos, o futuro presidente terá de lidar com a gestão de um dos cartões-postais mais importantes do Peru: Machu Picchu. Nas últimas semanas, a preservação do sítio arqueológico ganhou destaque devido a alertas sobre problemas de gestão, denúncias de corrupção na venda de ingressos e os riscos à imagem internacional do local. A forma como o próximo governo abordará essas questões será um termômetro da sua capacidade de proteger o patrimônio cultural e turístico do país.

Analistas concordam que o resultado desta eleição representará um teste crucial para a capacidade do Peru de superar sua instabilidade política crônica e reconstruir a confiança em suas instituições. O presidente eleito, que assumirá o cargo em 28 de julho, enfrentará o desafio de governar um país com um Congresso fragmentado e historicamente marcado por conflitos com o Poder Executivo.

Um dos candidatos, Roberto Sánchez, enfrenta um processo judicial. Segundo o Ministério Público, ele teria deixado de declarar mais de US$ 57 mil em atividades partidárias, com a Promotoria pedindo uma pena de cinco anos e quatro meses de prisão. Sua defesa anunciou que recorrerá da decisão. Caso seja eleito, Sánchez poderá ter imunidade constitucional, o que pode influenciar o andamento do processo.

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