ELEIÇÃO DECISIVA

Peru: Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam presidência em eleição decisiva neste domingo, 07/06/2026

Candidatos Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam a presidência do Peru.
Eleitores peruanos vão às urnas neste domingo, 07/06/2026, para decidir o futuro do país em uma eleição acirrada.

Cidadãos peruanos definem neste domingo, 07/06/2026, o nono presidente em uma década, em meio a forte polarização e instabilidade política.

Os cidadãos do Peru retornam às urnas neste domingo, 07/06/2026, para definir quem ocupará a Presidência do país nos próximos cinco anos. A disputa do segundo turno opõe a conservadora Keiko Fujimori, do partido Força Popular, ao esquerdista Roberto Sánchez, da legenda Juntos pelo Peru. O resultado definirá os rumos da nação em um cenário de forte polarização e empate técnico nas pesquisas.

Esta eleição ocorre em um dos períodos mais turbulentos da história recente peruana. Desde 2016, o país experimentou oito presidentes e uma sucessão de crises políticas, marcadas por frequentes trocas de governo, confrontos entre o Executivo e o Congresso, e episódios de destituição presidencial. O vencedor deste pleito se tornará o nono líder a assumir o cargo em apenas uma década.

Imagem colorida mostra candidatos a presidência do Peru Keiko Fujimori e Roberto Sánchez.
Eleitores peruanos vão às urnas em um dia decisivo para o futuro do país.

Com uma população de aproximadamente 34 milhões de habitantes, o Peru também atravessa um momento crítico para sua economia. Sendo um dos maiores produtores mundiais de cobre, o país acompanha atentamente os debates sobre investimentos, a exploração de recursos naturais e possíveis alterações nas diretrizes econômicas vigentes. A incerteza eleitoral tem gerado apreensão entre investidores e elevado as expectativas em torno do desfecho da votação.

No primeiro turno, que contou com um número recorde de 35 candidatos, Keiko Fujimori obteve 17,1% dos votos, ficando na liderança. Roberto Sánchez assegurou a segunda posição com 12%, superando o terceiro colocado por uma margem estreita e garantindo sua participação na etapa final.

Disputa Indefinida

  • Pesquisas divulgadas nos dias que antecederam o pleito indicaram uma corrida extremamente equilibrada. Um levantamento da CB Consultora, por exemplo, apontou Keiko Fujimori com 38,6% das intenções de voto, contra 36,5% de Roberto Sánchez.
  • Considerando a margem de erro de 2,5 pontos percentuais, ambos os candidatos estão tecnicamente empatados.
  • O quadro é agravado pelo expressivo número de eleitores indecisos, estimado em 9,8%, somado aos votos brancos e nulos, que representam 15,1% do eleitorado.
  • Diante desse cenário, analistas preveem que a eleição poderá ser definida por uma diferença mínima de votos.
  • O resultado eleitoral será observado de perto por governos estrangeiros e pelo mercado internacional, dadas as distintas propostas econômicas e a relevância estratégica do Peru na produção global de minerais.

Quem é Keiko Fujimori

Foto de Keiko Fujimori.
Keiko Fujimori busca a Presidência do Peru pela quarta vez.

Aos 51 anos, Keiko Fujimori concorre à Presidência pela quarta vez. Como líder do partido Força Popular, ela representa a direita conservadora e advoga pela manutenção do modelo econômico peruano atual, alicerçado na Constituição de 1993, promulgada durante o mandato de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori.

Apesar de liderar o primeiro turno, Keiko chega a esta etapa decisiva com um histórico de derrotas em eleições presidenciais anteriores (2011, 2016 e 2021). Sua campanha focou na estabilidade econômica, na experiência política e na restauração da confiança nas instituições, buscando atrair eleitores receosos de profundas mudanças na estrutura do Estado e na economia.

Sua candidatura é intrinsecamente ligada ao legado do "fujimorismo". A memória de Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos, incluindo casos de esterilização forçada de mulheres indígenas, continua a dividir a sociedade peruana. Para alguns eleitores, essa ligação familiar simboliza experiência e firmeza; para outros, é um motivo de forte rejeição.

Em política externa, Keiko Fujimori tem defendido uma aproximação maior com os Estados Unidos, em um contexto de crescente disputa por influência econômica entre Washington e Pequim na América Latina.

Quem é Roberto Sánchez

Foto de Roberto Sánchez, candidato a presidente do Peru.
Roberto Sánchez representa a esquerda e defende reformas sociais.

Deputado e psicólogo de formação, Roberto Sánchez, de 57 anos, emergiu como uma figura surpreendente nesta eleição. Ex-ministro do Comércio Exterior durante o governo de Pedro Castillo, ele conseguiu consolidar o apoio de setores da esquerda e de parte do eleitorado rural e indígena.

Sua candidatura está fortemente associada à proposta de transformação política. Sánchez defende a convocação de uma Assembleia Constituinte para substituir a atual Constituição e propõe reformas voltadas à ampliação de direitos sociais e à redução das desigualdades. Entre suas principais bandeiras, destaca-se a criação de um Estado mais representativo das diversas comunidades do país e uma maior participação do poder público em setores estratégicos como mineração e exploração de gás natural.

A conexão com Pedro Castillo, presidente eleito em 2021 e posteriormente destituído, também marca sua trajetória. Para apoiadores de Castillo, o ex-presidente foi vítima de um sistema político resistente à ascensão de representantes das regiões rurais e indígenas; para críticos, o governo enfrentou significativos problemas institucionais.

Roberto Sánchez também enfrenta investigações do Ministério Público por supostas irregularidades no financiamento de campanha e na prestação de informações eleitorais, alegações que ele nega. Na sexta-feira, 05/06/2026, a Justiça do Peru decidiu que Sánchez será julgado por uma suposta declaração falsa de financiamento de seu partido há seis anos. A decisão, que não afeta o pleito, pode levar a uma pena de cinco anos e quatro meses de prisão, conforme pedido do Ministério Público. A defesa de Sánchez informou que irá apelar da decisão, tendo prazo de uma semana para isso. Caso eleito, Sánchez possuirá imunidade presidencial, conforme previsto na constituição peruana.

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