CENTENÁRIO SOB CRISE
Legado de Fidel Castro sob tensão na crise de Cuba
Cuba celebra os cem anos de nascimento de Fidel Castro em meio a um severo colapso energético e isolamento político, levantando debates sobre a sustentabilidade do regime.
O centenário de nascimento de Fidel Castro, líder da revolução que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista em 1959, é celebrado em um cenário de profundas incertezas. A efeméride ocorre nesta quinta-feira (13), marcando o auge de uma crise multidimensional que coloca à prova o sistema estabelecido pelo revolucionário, agora sob o comando de Miguel Díaz-Canel e Raúl Castro.
O regime enfrenta hoje seu momento mais crítico desde o levante guerrilheiro do século 20. Sem a presença de Fidel Castro, falecido há uma década, a ilha sofre com os efeitos do embargo aprofundado pelos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump. A escassez de suprimentos, agravada pela redução do fornecimento de petróleo vindo da Venezuela, resultou em ao menos seis apagões generalizados no país desde o início do ano, impactando diretamente o cotidiano e a dignidade básica da população.
Mesmo diante do colapso, o Partido Comunista mantém os eventos em honra ao líder. Desde segunda-feira (10), o Centro de Convenções de Havana sedia o colóquio "Fidel: Legado e Futuro". As homenagens atingem também outras nações: Daniel Ortega, na Nicarágua, inaugurou uma estrutura metálica em Manágua, enquanto militantes na Venezuela e na Argentina organizam ações simbólicas em memória ao centenário.
Para Arturo Lopez-Levy, professor da Universidade Autônoma de Madri, o grande feito de Fidel Castro foi romper com a dependência histórica de Washington. O pesquisador lembra que, antes da revolução, o embaixador dos EUA era o segundo homem mais influente na ilha, segundo registros do Senado americano de 1960. Contudo, Lopez-Levy ressalta que a autonomia conquistada no período da relação Cuba-URSS já não supre as demandas atuais.
O especialista aponta que a dificuldade em promover uma transição intergeracional eficaz e a falta de sustentabilidade econômica deixaram a nação isolada. Para as novas gerações, que não vivenciaram os ideais da Revolução Cubana, o cotidiano é marcado por limitações severas de pensamento e perspectiva. "As pessoas não podem viver no ontem", pondera Lopez-Levy, observando que novas lideranças na América Latina, como Luiz Inácio Lula da Silva e Claudia Sheinbaum, hoje ocupam o protagonismo político que antes era exclusivo da liderança cubana.
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