SÁTIRA POLÍTICA VIRAL

Pedro Rousseff usa IA para expor articulações políticas

Fantoches feitos por IA representam Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro
Fantoches feitos por IA representam Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, NIkolas Ferreira e Daniel Vorcaro | Reprodução/Instagram @pedrorousseff - 18.mai.2026

Vereador ironiza relações entre Bolsonaro e Banco Master; vídeo já alcança milhões de visualizações.

O vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT-MG), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), publicou uma animação satírica com fantoches criados por inteligência artificial, “Os Imbrocháveis”, em suas redes sociais nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026. A iniciativa, que ironiza políticos de direita como Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Nikolas Ferreira, surgiu após a forte repercussão de um áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitando apoio financeiro a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A sátira visa provocar uma reflexão crítica sobre as articulações políticas e o financiamento de campanhas, utilizando o humor para destacar temas de interesse público e questionar a transparência nas relações de poder.

O vídeo, que já circula amplamente nas plataformas digitais, adota um formato marcante, semelhante à série "Os Intocáveis", idealizada pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) para criticar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa abordagem criativa busca alcançar o público de maneira descontraída, mas com uma mensagem política contundente, gerando debate e engajamento sobre assuntos sensíveis ao eleitorado.

“Os Imbrocháveis” apresenta um diálogo simulado e caricato entre as versões digitais de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Na cena, o personagem que representa o senador pede recursos milionários para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A animação mostra o congressista alegando que a verba seria em prol “do Brasil, da família, da liberdade e do cinema nacional”, uma alusão direta a discursos políticos.

Em outro momento da sátira, o fantoche do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) demonstra um notável incômodo ao abordar as relações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. O personagem sugere que, com a exposição desses laços, o público passaria a exigir explicações sobre o Banco Master, o que, na trama humorística, dificultaria a capacidade da direita de criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o STF, ressaltando a hipocrisia política.

A publicação também retrata o personagem de Romeu Zema. Na cena, um assessor do ex-governador afirma que o partido Novo recebeu repasses financeiros de Daniel Vorcaro. A versão em fantoche do político, em uma clara ironia, responde que os valores foram devidamente declarados e que ele só deveria contestar se, porventura, adversários políticos estivessem envolvidos em situações análogas.

O conteúdo compartilhado por Pedro Rousseff faz uma alusão direta a uma reportagem investigativa do site The Intercept Brasil. A matéria abordou o financiamento do longa-metragem “Dark Horse”, associado à família Bolsonaro. De acordo com o veículo, documentos, áudios e comprovantes bancários indicam que Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para o projeto entre fevereiro e maio de 2025, integrando um contrato estimado em R$ 134 milhões. Essas informações reforçam o contexto e a relevância da sátira.

Assista ao vídeo (2min18s):

A estética da série de Pedro Rousseff, com seus bonecos digitais, replica o padrão estabelecido por Romeu Zema em “Os Intocáveis”. Nessa produção, ministros do STF eram representados por bonecos em esquetes humorísticas que visavam satirizar decisões judiciais e posturas políticas. Um dos episódios mais polêmicos veiculados por Zema mostrava o personagem do ministro Dias Toffoli solicitando ao de Gilmar Mendes a suspensão da quebra de sigilos na CPI do Crime Organizado, um pedido que, na animação, era aceito mediante a oferta de uma vantagem em um resort.

Após a exibição desse episódio específico de “Os Intocáveis”, o ministro Gilmar Mendes solicitou a inclusão de Romeu Zema no Inquérito das Fake News, que investiga ofensas e ameaças dirigidas aos ministros do tribunal. Esse histórico demonstra a sensibilidade do tema e o potencial de repercussão legal e política de produções satíricas que envolvem figuras do alto escalão do poder.

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