ALERTA AOS PAIS
Pediatras alertam: saiba diferenciar bronquiolite de resfriado
Coriza, tosse e febre baixa confundem, mas a evolução do quadro e o esforço respiratório são chaves para o diagnóstico correto.
A dúvida entre bronquiolite e resfriado comum assombra pais e responsáveis, especialmente diante da semelhança inicial dos sintomas. Reconhecer as diferenças é crucial para garantir a saúde dos bebês e recém-nascidos, pois a bronquiolite, se não identificada a tempo, pode levar a complicações sérias e exigir intervenção médica imediata.
Nos primeiros dias, bronquiolite e resfriado comum compartilham sintomas que frequentemente confundem pais e responsáveis. Coriza, espirros e uma tosse leve podem indicar ambos os quadros, um desafio inicial que ganha especial gravidade quando afeta bebês e recém-nascidos.
Henrique Gomes, pediatra do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, esclarece que o resfriado geralmente se restringe às vias aéreas superiores, afetando nariz e garganta. “Normalmente aparecem coriza, espirros e febre baixa, sem grande impacto na respiração”, explica o especialista.
Os sinais de bronquiolite, contudo, começam a se distinguir após dois ou três dias. Neste período, a criança pode desenvolver uma tosse mais intensa, demonstrar cansaço e apresentar respiração acelerada, condição conhecida como taquipneia.
A infectologista Giovanna Marssola, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, detalha que a bronquiolite inflama os bronquíolos, que são pequenas vias respiratórias nos pulmões. “Com o passar dos dias, surgem sinais claros de piora respiratória, como chiado no peito e dificuldade para respirar, o que não é típico de um resfriado simples”, afirma.
Dificuldade para respirar: o sinal que mais preocupa
Entre os sintomas, a dificuldade para respirar emerge como o principal sinal de alerta para os pediatras. Monitorar a respiração da criança pode, assim, guiar os pais sobre a necessidade de avaliação médica.
Gomes aponta sinais visíveis que podem ser observados em casa:
- Tiragem: quando a pele entre as costelas ou acima da clavícula ‘afunda’ durante a inspiração;
- Batimento de asa do nariz: as narinas se abrem consideravelmente a cada inspiração;
- Esforço abdominal: a barriga se move intensamente para auxiliar na entrada de ar.
O chiado no peito é outro sintoma frequente, provocado pelo estreitamento dos bronquíolos inflamados. Em um resfriado comum, este som é raro; geralmente, ouve-se apenas o barulho de secreção no nariz ou na garganta, que costuma melhorar com lavagem nasal.
Giovanna enfatiza que a saturação de oxigênio nem sempre diminui no início do quadro. “Muitas vezes, a queda da saturação aparece tardiamente. Por isso, os pais devem observar principalmente o esforço respiratório”, adverte.
Evolução dos sintomas ajuda a diferenciar as doenças
A trajetória dos sintomas ao longo dos dias também é um fator crucial para distinguir as duas condições. No resfriado comum, os sintomas tendem a se estabilizar ou a melhorar a partir do terceiro dia. Na bronquiolite, no entanto, a inflamação respiratória geralmente se agrava entre o terceiro e o quinto dia da doença.
O pediatra explica: “A bronquiolite é causada por um vírus respiratório e começa com sinais semelhantes aos de um resfriado, mas sua evolução tende a agravar a dificuldade respiratória”.
Os pais devem procurar atendimento médico imediato se notarem:
- Respiração muito rápida ou ofegante;
- Dificuldade para respirar ou chiado no peito;
- Cansaço ou dificuldade para mamar;
- Lábios ou unhas arroxeados;
- Irritabilidade ou prostração intensa.
Nessas situações, a avaliação médica é indispensável para confirmar o diagnóstico e prevenir complicações graves, especialmente em bebês e crianças pequenas, que se mostram mais vulneráveis aos sintomas da bronquiolite e suas consequências.
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