EXPORTAÇÃO DE PROTEÍNAS
Pecuaristas articulam resistência contra novas normas da UE para carne
Manifesto assinado por 14 entidades do setor defende o uso de antimicrobianos e alerta para o risco de prejuízos econômicos e perda da soberania regulatória.
Entidades representativas do setor agropecuário brasileiro manifestaram, neste sábado, 11/07/2026, forte oposição às novas exigências da UE (União Europeia) quanto ao uso de antimicrobianos na produção de proteínas. O posicionamento, consolidado em um manifesto subscrito por 14 associações, defende a manutenção dos protocolos atuais para garantir a competitividade das exportações e a preservação da soberania regulatória do país.
A tensão entre o Brasil e o bloco europeu ocorre em meio a um prazo crítico: a partir de 3 de setembro, a UE pode vetar a entrada de produtos de origem animal brasileiros, incluindo carnes bovina e de frango, caso o governo não implemente alterações nos protocolos sanitários vigentes. A medida, oficializada em 5 de junho, reflete o temor europeu de que o uso de antimicrobianos para acelerar o crescimento de animais potencialize a resistência bacteriana, um risco à saúde global.
Em nota oficial, o setor rebate a necessidade das mudanças, afirmando que o Brasil possui um sistema de controle sanitário robusto, referendado pelo Codex Alimentarius e pela OMC (Organização Mundial do Comércio). Para os produtores, a proibição de tecnologias consagradas prejudica o bem-estar animal e a eficiência alimentar, além de impor custos burocráticos desnecessários aos pecuaristas que operam sob normas distintas para outros mercados.
O manifesto critica veementemente a possibilidade de adequação às normas europeias, classificando-a como uma ameaça à independência nacional. “As entidades consideram ser inadmissível que exigências comerciais de um mercado específico sejam transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira”, declara o documento, que conta com o apoio de organizações como a Acrimat, Famato, SRB e a MBPS.
Enquanto o Planalto mantém negociações ativas na tentativa de reverter a restrição antes de 3 de setembro, o impacto econômico permanece como uma preocupação central. Em 2025, as exportações desses setores para a UE alcançaram US$ 2,026 bilhões. O governo, contudo, ainda não consolidou uma estimativa oficial sobre as perdas financeiras caso o bloqueio se concretize, reafirmando que o diálogo é a via prioritária para solucionar o impasse sanitário.
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