GOVERNO EM ALERTA

PEC do fim da escala 6x1 completa um mês parada no Senado Federal

Senador Davi Alcolumbre em pé, de terno, em um ambiente institucional.
Senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal. (Foto: Waldemir Barroso/Agência Senado)

Proposta prioritária para o Executivo aguarda decisão do presidente Davi Alcolumbre, gerando impasse e adiando análise de pautas cruciais.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6x1 completa, nesta domingo, 28/06/2026, um mês paralisada no Senado Federal, sem qualquer avanço em sua análise. A matéria, considerada prioritária pelo governo, aguarda um despacho decisivo do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP).

A Câmara dos Deputados havia aprovado o texto, que trata da redução da jornada de trabalho no país, em 27 de maio. No dia seguinte, a proposta chegou ao Senado e permanece travada desde então. Uma sessão de debate temático está agendada para a quarta-feira, 1º de julho, no plenário do Senado, marcando a primeira discussão formal da PEC desde seu envio. Contudo, o texto ainda depende do encaminhamento de Alcolumbre para ser submetido à análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

No mesmo dia da sessão temática, o presidente do Senado deve se reunir com parlamentares que são autores das propostas relacionadas ao fim da escala 6x1. A deputada Erika Hilton (PSOL) e o deputado Reginaldo Lopes (PT) confirmaram presença, assim como representantes de centrais sindicais e a nova líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT).

A aprovação da PEC é vista como uma 'missão' atribuída pelo Planalto à senadora Teresa Leitão (PT-PE), que assumiu a liderança do governo no Senado em substituição a Jaques Wagner (PT-BA) nesta semana. Apesar da urgência demonstrada pelo Executivo, Davi Alcolumbre já sinalizou que a PEC não será votada diretamente no plenário e que o Senado pretende propor modificações, afastando a ideia de que a Casa atuará como mera 'carimbadora' da versão aprovada pelos deputados. Qualquer alteração no mérito da proposta exigirá seu retorno à Câmara, o que postergaria ainda mais a conclusão do processo.

Outro obstáculo no andamento da matéria é a definição do relator. O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), nome considerado por aliados de Alcolumbre, negou interesse em assumir a relatoria. A relação entre Alcolumbre e o governo tem sido tensa, intensificada após a rejeição de Jorge Messias para uma vaga no STF. Além da PEC do fim da escala 6x1, outras pautas relevantes para o Executivo, como a PEC da Segurança Pública, o projeto sobre exploração de minerais críticos e a proposta de um Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), também não avançaram sob a presidência de Alcolumbre.

A PEC que põe fim à escala 6x1 é a mais prioritária, vista como um ativo eleitoral e uma bandeira importante na pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.

O que diz a proposta

A matéria em tramitação propõe a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com a garantia de dois dias de descanso e sem alteração salarial. Essa diminuição seria implementada gradualmente ao longo de 14 meses, em duas etapas: a primeira após 60 dias da promulgação da emenda e a segunda 12 meses depois. Representantes do setor produtivo manifestam objeção à mudança, temendo o aumento dos custos de produção e buscando negociar compensações financeiras com o senador Alcolumbre. Em contrapartida, a equipe econômica do governo argumenta que a alteração não gerará impacto negativo e poderá impulsionar a produtividade ao melhorar a qualidade de vida da força de trabalho.

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