INVESTIGAÇÃO SOBRE BENS
Patrimônio de Jaques Wagner cresce 630% e levanta questionamentos
Senador declarou à Justiça Eleitoral salto de R$ 3,3 milhões para R$ 24,5 milhões. Valores não declarados em operação da Polícia Federal motivam apurações.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou uma evolução patrimonial superior a 630% em um intervalo de oito anos, conforme dados submetidos à Justiça Eleitoral. O parlamentar, que é alvo de investigação envolvendo o Banco Master, viu seus bens saltarem de R$ 3,3 milhões para R$ 24,5 milhões em sua última declaração oficial.
A disparidade financeira ocorre em um contexto delicado, marcado pela operação realizada pela Polícia Federal em junho deste ano. Na ocasião, agentes encontraram montantes em moeda estrangeira — 65 mil dólares e 39 mil euros — em endereços ligados ao senador, valores que não constavam nas declarações apresentadas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A maior parcela dessa ascensão patrimonial tem origem na venda de um terreno em Vila de Abrantes, distrito de Camaçari, próximo a Salvador. O imóvel, que em 2018 era avaliado em R$ 28 mil, foi negociado por R$ 13,8 milhões para a Lagoons Empreendimentos, empresa ligada à SAF (Sociedade Anônima de Futebol) do Bahia, área que também integra o projeto do novo centro de treinamento do clube.
Além da transação imobiliária, o balanço de bens destaca uma variação expressiva nas aplicações financeiras e contas bancárias, que passaram de R$ 1,2 milhão para R$ 8,3 milhões no período. Enquanto o parlamentar mantém seu salário como senador, fixado em R$ 46.366,19 mensais, e reitera não exercer atividades empresariais, a ausência de justificativas detalhadas sobre a origem dos recursos e a ocultação de ativos mantêm o caso sob análise das autoridades competentes.
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