FINANCIAMENTO DE CAMPANHAS

Partidos planejam gastar R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral em 2026

Urna eletrônica
Urna eletrônica exibida em evento do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), no Rio.

Divulgação do TSE define cotas para legendas; PL e PT lideram o recebimento de recursos públicos. Presidenciáveis buscam otimizar uso em marketing digital e produção audiovisual.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu, nesta domingo, 14/06/2026, os critérios de divisão do Fundo Eleitoral, montante de R$ 4,9 bilhões destinado ao financiamento de campanhas para as eleições gerais de 2026. A decisão impacta diretamente o planejamento financeiro das 30 legendas aptas a receber os recursos, estabelecendo prioridades e estratégias de gastos. O objetivo é garantir maior transparência e eficiência na aplicação do dinheiro público, que representa a principal fonte de custeio para a maioria dos candidatos.

Os partidos que mais receberão verba pública em 2026 são o PL, com R$ 881 milhões, seguido pelo PT, com R$ 615 milhões. União Brasil (R$ 526 milhões), PSD (R$ 421 milhões) e PP (R$ 417 milhões) completam a lista das cinco maiores cotas. As campanhas eleitorais também contam com o Fundo Partidário, utilizado para despesas administrativas das legendas, como contas de consumo e aluguel.

Para as disputas presidenciais, as estratégias de gastos em 2022 oferecem um panorama do que se espera para 2026. Segundo dados do TSE, os candidatos à Presidência da República declararam R$ 336,7 milhões em despesas. Deste total, R$ 244,9 milhões foram financiados com recursos públicos (72,74%) e R$ 91,8 milhões com fundos privados (27,26%). Do montante público, R$ 215,3 milhões vieram do Fundo Eleitoral e R$ 29,6 milhões do Fundo Partidário.

A produção de programas de rádio, televisão e vídeo liderou as despesas em 2022, com R$ 81,3 milhões. O impulsionamento de conteúdos na internet foi o segundo maior gasto, totalizando R$ 67,3 milhões. O ex-presidente Jair Bolsonaro investiu R$ 33 milhões em impulsionamento, enquanto a campanha do presidente Lula aplicou R$ 25 milhões. Outras despesas relevantes incluem contratação de serviços (R$ 52,9 milhões), publicidade impressa (R$ 41,9 milhões) e adesivos (R$ 19,5 milhões).

As plataformas digitais, como Google e Facebook, tornaram-se fornecedores cruciais. O Google recebeu R$ 55,7 milhões de campanhas presidenciais, enquanto o Facebook figura em sétimo lugar, com R$ 8,7 milhões. A inteligência artificial (IA) surge como um novo e significativo desafio, com a expectativa de aumento nos gastos devido à evolução das ferramentas e à necessidade de contratação de profissionais especializados em microsegmentação e algoritmos, conforme avalia a advogada eleitoral Gabriela Rollemberg.

O PT, por exemplo, priorizou a destinação da maior parte de seus recursos para a reeleição do atual presidente, com critérios de repasse para outros candidatos ainda em debate. "Estamos definindo a distribuição conforme o que o PT estabeleceu na sua resolução política do ano passado: prioridade número 1 para a reeleição do Lula e depois do Congresso", declarou Gleide Andrade, secretária nacional de finanças do partido.

Além dos candidatos a cargos federais e estaduais, o Fundo Eleitoral também contemplará disputas para governos estaduais, Assembleias Legislativas e a Câmara Legislativa do Distrito Federal. O Missão, partido mais jovem, terá direito a uma cota mínima de 2%, totalizando R$ 3.307.679,85, direcionada a candidatos a deputado federal. A campanha presidencial do partido, liderada por Renan Santos, organizou uma vaquinha que já arrecadou mais de R$ 1 milhão para cobrir despesas com viagens.

A decisão sobre a divisão do Fundo Eleitoral, embora técnica, reflete o impacto direto na capacidade de comunicação e alcance das campanhas, influenciando a livre manifestação do eleitor e a própria democracia. A otimização dos recursos, o combate à desinformação e a adaptação às novas tecnologias, como a IA, são desafios centrais para garantir a integridade do processo eleitoral de 2026.

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