IMPACTO CRESCENTE
Parkinson: Dr. Kalil e especialistas da CNN Brasil desvendam impactos no cérebro
A doença, que afeta 11,8 milhões no mundo e 500 mil brasileiros, tem prevalência crescente e é debatida por renomados neurologistas neste sábado, 09 de maio de 2026.
A complexidade do Parkinson, uma doença neurodegenerativa que afeta milhões globalmente e se expande a uma taxa alarmante, foi o tema central de um debate esclarecedor no programa Sinais Vitais da CNN Brasil, transmitido neste sábado, 09 de maio de 2026. Conduzido pelo Dr. Roberto Kalil, o painel contou com os neurologistas Roberta Saba e Rubens Cury, que desvendaram como a condição se manifesta no cérebro e os fatores cruciais para seu desenvolvimento. A discussão ressalta a urgência de compreender o Parkinson, que, com aproximadamente 500 mil casos no Brasil e 11,8 milhões no mundo, já supera em prevalência outras enfermidades como Alzheimer e epilepsia, impactando profundamente a dignidade e a qualidade de vida de indivíduos e famílias.
O que acontece no cérebro?
Segundo a neurologista Roberta Saba, secretária-geral da Academia Brasileira de Neurologia, o Parkinson provoca uma alteração significativa em uma região cerebral específica, a substância negra. "Nessa região, existem neurônios que produzem uma espécie de hormônio cerebral, um neurotransmissor essencial que se chama dopamina", explicou a especialista.
A dopamina é vital para a coordenação e regulação dos movimentos corporais. "Com a degeneração progressiva desses neurônios, surgem os sintomas característicos da doença: lentidão nos movimentos, rigidez muscular e, frequentemente, o tremor de repouso, que afeta a autonomia dos pacientes", detalhou Roberta Saba, humanizando o impacto da perda da dopamina na vida diária.
Causas e fatores de risco
A ciência ainda busca a elucidação completa da causa do Parkinson. Por isso, Roberta Saba esclareceu que a condição é classificada como de causa idiopática, resultando de uma complexa "combinação de fatores genéticos e fatores ambientais".
Para ilustrar a influência ambiental, a neurologista citou um caso emblemático de gêmeos univitelinos: um deles, engenheiro agrônomo, desenvolveu a doença, possivelmente devido à exposição a pesticidas, enquanto o outro irmão, advogado, permaneceu saudável. "Os fatores ambientais estão cada vez mais relacionados ao surgimento do Parkinson", enfatizou a médica. "Nós, no entanto, ainda não conseguimos definir o que leva um indivíduo a desenvolver a doença e o outro não, o que torna o diagnóstico e a prevenção um desafio."
Rubens Cury, coordenador do Ambulatório de Estimulação Cerebral Profunda do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, reforçou a linha investigativa sobre elementos ambientais. Fatores como o aumento da industrialização, a poluição atmosférica e o uso de agrotóxicos estão entre os elementos mais investigados como possíveis gatilhos para o desenvolvimento da doença.
"Temos estudos nos Estados Unidos e na Coreia do Sul mostrando que em regiões mais poluídas a incidência é maior", afirmou Cury. Ele pontuou que a combinação de uma predisposição genética com a exposição a esses fatores ambientais parece ser o principal mecanismo por trás do desenvolvimento da doença, ampliando a compreensão sobre a origem dessa condição debilitante.
Idade de manifestação e hereditariedade
Rubens Cury esclareceu que o Parkinson não possui uma idade específica para seu surgimento, mas a prevalência é significativamente maior a partir dos 55 anos. "Quanto mais idade, maior a chance da pessoa ter Parkinson", explicou o neurologista. Quando a doença se manifesta antes dos 50 anos, ela é denominada doença de Parkinson precoce e, geralmente, está associada a uma predisposição genética mais elevada.
Sobre a hereditariedade, Cury destacou que apenas em cerca de 10% dos casos é possível identificar um gene alterado responsável pela condição. "Em 90% dos casos, o teste genético vem negativo", pontuou o especialista. Esse dado reforça o papel predominante dos fatores ambientais e da intrincada interação entre genética e ambiente no complexo desenvolvimento da doença de Parkinson, sublinhando a necessidade de pesquisas contínuas para proteger a saúde pública.
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