MARCO DOS MINERAIS

Parecer de Wilder Morais no Senado limita poder estatal sobre minerais críticos

Fachada do Senado Federal durante sessão de votação.
Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado debate novo marco para o setor de minerais críticos.

Novo texto reduz poder de veto de conselho em negócios privados, buscando equilibrar soberania nacional e atração de investimentos ao setor minerário.

A Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado passou a avaliar, nesta segunda-feira, 13/07/2026, uma nova proposta que altera a governança da política nacional de minerais críticos e estratégicos. A decisão foi formalizada através de um parecer do senador Wilder Morais (PL-GO), que busca ajustar o poder de intervenção do futuro conselho regulador sobre operações do setor privado, buscando mitigar riscos de insegurança jurídica que preocupam o mercado.

O texto, que tramita em caráter terminativo, será discutido na terça-feira, 14/07/2026. Por ser uma proposta de caráter conclusivo, caso seja aprovada pela comissão sem recursos para o Plenário, o projeto seguirá diretamente para análise na Câmara dos Deputados. O movimento é estratégico e posiciona o senador Wilder Morais como figura central na articulação do marco legal no Senado.

A mudança central reside na atuação do CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos). No projeto original vindo da Câmara, o conselho teria prerrogativa de “homologar” operações sensíveis, como mudanças societárias e acesso a dados geológicos. O parecer de Wilder Morais substitui o termo por “registrar e acompanhar”, limitando a percepção de um poder de veto estatal direto sobre negócios privados.

Apesar da flexibilização, a estrutura proposta mantém o conselho vinculado à Presidência da República e preserva ferramentas robustas de política industrial. Isso inclui a criação do FGAM (Fundo Garantidor da Atividade Mineral), com aporte previsto da União de R$ 2 bilhões, além de incentivos fiscais e debêntures incentivadas para estimular a agregação de valor no Brasil por meio das ZPTM (Zonas de Processamento de Transformação Mineral).

Para o setor privado, a discussão vai além da semântica. Empresas e entidades do segmento pressionam para que critérios e prazos de atuação do conselho sejam definidos claramente em lei, evitando que o Executivo tenha margem para decisões discricionárias via decreto. O equilíbrio entre o controle sobre ativos considerados estratégicos e a necessidade de capital internacional para P&D permanece como o principal desafio do debate legislativo.

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