FIM DA GUERRA JUSTA

Papa Leão 14 rejeita guerra justa e encerra "permissão" católica para conflitos

Em nova encíclica, pontífice critica uso da doutrina para justificar conflitos e aponta para diplomacia e diálogo. Decisão impacta visão global sobre a paz.

O papa Leão 14 repudiou, nesta quinta-feira, 28/05/2026, um ensinamento secular da Igreja Católica utilizado desde o século 5 para avaliar a justificativa de guerras. A decisão, expressa em sua primeira grande encíclica, intitulada "Magnifica Humanitas", pode ter implicações globais significativas. Segundo especialistas, a nova diretriz encerra a doutrina da "guerra justa", antes vista como uma permissão para conflitos em circunstâncias específicas, e sugere que a humanidade dispõe de meios mais eficazes para a paz.

A encíclica, publicada na segunda-feira, não apenas desautoriza a teoria da guerra justa, mas também clama pela regulamentação global da IA e pede desculpas pelo papel histórico da Igreja no apoio à escravidão transatlântica. Em suas palavras, Leão 14 afirma que a teoria da "guerra justa", frequentemente invocada para justificar confrontos, tornou-se obsoleta. Ele destaca que o diálogo, a diplomacia e o perdão são ferramentas superiores para promover a vida humana e resolver desavenças.

O cardeal Blase Cupich, de Chicago e aliado do pontífice, reforçou a preocupação do papa com a manipulação da doutrina por líderes mundiais. "A teoria da guerra justa sempre foi concebida como uma restrição, não como uma permissão, que infelizmente alguns estão usando indevidamente para justificar suas decisões de ir à guerra em vez de buscar os caminhos da paz", declarou Cupich à Reuters durante a apresentação do documento no Vaticano.

O papa Leão 14 tem adotado uma postura mais firme, criticando guerras e a indústria armamentista, que ele aponta como força motriz por trás dos conflitos. Sua posição já gerou atritos, como a crítica à guerra no Irã, que lhe rendeu a ira do presidente dos EUA, Donald Trump. A teoria da guerra justa foi, por exemplo, invocada por autoridades do governo Trump, incluindo o vice-presidente JD Vance, para defender a intervenção no Irã.

Em abril, após uma publicação do papa sobre Deus "nunca estar do lado daqueles que já empunharam a espada", Vance, um católico, rebateu em um evento no Estado da Geórgia, sugerindo que o papa "tivesse cuidado ao falar sobre questões de teologia".

Anna Rowlands, acadêmica britânica presente na cerimônia de lançamento da encíclica, explicou que Leão 14 expressa preocupação com "uma nova era de conflitos em transformação, agora cada vez mais impulsionados pela tecnologia". Ela descreveu a afirmação do papa de que a teoria está desatualizada como "uma declaração forte sobre a necessidade de (a teoria da guerra justa) ser colocada em um contexto mais amplo e renovado de critérios para construir a paz e resolver conflitos".

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