GOVERNO EVITA ESCALADA
Palanalto aposta em discrição para evitar atritos com Trump no G7
Presidente Lula optará por tom diplomático ao tratar de tarifas dos EUA na cúpula, buscando não elevar tensões em meio a negociações comerciais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem planos de adotar um tom diplomático ao abordar as tensões comerciais com os Estados Unidos durante a cúpula do G7, que ocorrerá de 15 a 17 de junho. A estratégia do Planalto é apresentar um posicionamento claro do Brasil, mas com a ressalva de que referências diretas às tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros devem ser evitadas por Lula.
O governo avalia que não há necessidade de replicar, no palco internacional, o tom de debates internos sobre o assunto. Uma confrontação direta durante o G7 poderia, na visão oficial, agravar as tensões em um momento crucial em que o Brasil busca avançar nas negociações comerciais.
A expectativa é que Lula aborde a questão de maneira mais abrangente, enfatizando a importância de regras multilaterais para o comércio e criticando medidas que restrinjam o fluxo de produtos e investimentos entre nações.
Essa postura se alinha ao contínuo questionamento brasileiro às justificativas apresentadas pelos EUA para a imposição das tarifas. O Planalto entende que os argumentos americanos visam a conferir suporte político e jurídico às suas políticas comerciais, uma vez que o déficit comercial não pode ser utilizado como justificativa formal.
As negociações sobre o tema têm transcorrido por canais técnicos. Em 28 de maio, o secretário-executivo do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, dialogou com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Desde então, as equipes de ambos os países têm realizado reuniões contínuas. O ministro comunicou a intenção de agendar uma nova reunião com Greer para a semana corrente, embora a data específica não tenha sido divulgada.
Não há previsão de um encontro bilateral entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), durante a participação de ambos na cúpula do G7. A avaliação é que uma reunião formal teria pouca relevância prática neste instante, considerando que as negociações comerciais estão em andamento entre as equipes técnicas e que os líderes já se reuniram em maio. Até o momento da publicação desta matéria, nenhuma das partes solicitou formalmente uma reunião bilateral. Representantes do Planalto não descartam, contudo, uma conversa informal caso os presidentes coincidam em alguma atividade durante o evento.
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