TENSÃO COMERCIAL GLOBAL

Países contestam novas tarifas dos EUA e prometem reação global

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump durante coletiva de imprensa
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump durante coletiva - Metropoles

Nações criticam taxas sobre exportações justificadas por investigação sobre trabalho forçado; Brasil acionará a Lei de Reciprocidade.

Diversas nações iniciaram uma ofensiva diplomática e comercial contra a decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas taxas de importação a cerca de 80 países, incluindo o Brasil. A medida foi anunciada na quinta-feira (23/7) pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), sob o pretexto de uma investigação acerca do combate ao trabalho forçado.

As novas alíquotas, que variam entre 10% e 12,5%, entraram em vigor nesta sexta-feira (24/7). A decisão impacta diretamente a economia das nações afetadas, gerando incertezas para empresas e cadeias produtivas globais, além de levantar questionamentos sobre a validade dos critérios utilizados por Washington.

Reação internacional

A União Europeia, que recebeu uma taxa de 10%, classificou as alegações como infundadas. Kaja Kallas, chefe da diplomacia do bloco, contestou a comparação feita pelos Estados Unidos: “Temos condições de trabalho muito boas para nossos empregados. Essa justificativa realmente não tem fundamento”, afirmou durante reunião da Asean, em Manila.

Na Noruega, o ministro das Relações Exteriores, Espen Barth Eide, descreveu as taxas como “descabidas”, ressaltando que 67% das exportações do país serão atingidas. O Canadá, por meio do primeiro-ministro Mark Carney, sinalizou prontidão para adotar medidas retaliatórias, enquanto o premiê da Nova Zelândia, Christopher Luxon, afirmou que a investigação dos EUA carece de evidências significativas.

Posição do Brasil

O governo brasileiro classificou a decisão como “completamente arbitrária e injustificada”. Em nota oficial, o país anunciou que acionará imediatamente os mecanismos da Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC para contestar a penalidade.

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