EDUCAÇÃO PARA TODOS

Pais denunciam exclusão de autistas em edital do Colégio Militar Tiradentes

Foto ilustrativa de um colégio militar.
Pais denunciam exclusão de autistas em edital do Colégio Militar Tiradentes.

O edital para o ano letivo de 2027 do Colégio Militar Tiradentes (CMT) foi lançado sem vagas reservadas para PCDs, incluindo autistas, gerando revolta em famílias e ativistas. A PMDF nega as acusações e afirma que adaptações são oferecidas.

Pais e responsáveis denunciam que o edital para o processo seletivo do Colégio Militar Tiradentes (CMT), referente ao ano letivo de 2027, foi publicado sem a devida reserva de vagas para pessoas com deficiência (PCDs), incluindo aquelas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A medida gerou indignação entre famílias atípicas, que acusam a escola da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) de abandonar a educação inclusiva. Segundo relatos, a instituição passou a exigir a participação dos estudantes nas chamadas Olímpiadas do Conhecimento para a composição das notas, medida que impactaria negativamente o desempenho de alunos com TEA e outras deficiências.

Em resposta às denúncias, o Movimento Orgulho Autista Brasil (MOAB) protocolou uma ação extrajudicial com o objetivo de impugnar o processo seletivo. O presidente do MOAB, Edilson Barbosa, criticou a exclusão: "O edital desconheceu que existem alunos autistas ou PCDs. Qualquer seleção tem que ter uma cota para essas pessoas. O colégio ignorou e esqueceu as adaptações". A PMDF, por sua vez, nega as acusações.

As famílias relatam que a dificuldade de inclusão se estende ao dia a dia escolar. A falta de acesso a conteúdo e provas adaptadas em sala de aula impede que estudantes neurodivergentes do Ensino Fundamental e Médio acompanhem o aprendizado. "A instituição militar faz parte do Brasil. E o Brasil tem leis. E nenhuma lei diz que autista tem direito, menos nos colégios militares. Não é porque é um colégio militar que os alunos não precisam de adaptações. É um colégio como qualquer outro", reforçou Barbosa.

Adicionalmente, pais apontam a carência de monitores para o apoio de alunos neurodivergentes e o impacto negativo da exigência de participação em olimpíadas de conhecimento nas notas finais. "Sobre as olímpiadas, dependendo do diagnóstico, nunca um aluno atípico terá condição de fazer a prova. É como você colocar um cadeirante para correr. Exigir a participação para nota é desrespeitar o laudo médico e a individualidade de cada estudante", explicou o presidente do MOAB, ressaltando a necessidade de empatia e o combate ao capacitismo institucional.

Legislação e Posicionamento Oficial

A Constituição Federal assegura a promoção do bem de todos e o direito à educação em igualdade. A Lei nº 12.764/2012, que trata da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, equipara pessoas com TEA a pessoas com deficiência para todos os efeitos legais. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência reforçam a obrigatoriedade de sistemas educacionais inclusivos.

Em nota, a PMDF negou a exclusão de autistas e o abandono da educação inclusiva. A instituição afirmou que o processo seletivo prevê adaptações razoáveis mediante análise individualizada, como tempo adicional e provas adaptadas. "Dessa forma, a instituição entende que não há ilegalidade ou irregularidade capaz de justificar a suspensão do certame ou a retificação do edital", declarou. Quanto às olimpíadas de Matemática, a PMDF informou que a ferramenta visa estimular o raciocínio lógico e o aprofundamento curricular, com garantia de participação acessível e equitativa.

O CMT garante a manutenção de ações permanentes de inclusão e acessibilidade, com suporte de psicólogos, pedagogos, especialistas em Atendimento Educacional Especializado (AEE), auxiliares e monitores.

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