VIOLÊNCIA INFANTIL

Pai que chutou filha de 3 anos em Francisco Beltrão justifica agressão alegando choro

Imagem capturada de vídeo mostra o momento da agressão contra a criança em Francisco Beltrão.
Pai preso após chutar filha de 3 anos no rosto — Foto: Reprodução/TV Globo

Homem teve prisão preventiva decretada pela Justiça após vídeo expor abuso físico; Polícia Civil investiga também casos de tortura contra os dois filhos.

O pai de 31 anos, preso preventivamente após ser flagrado pelas câmeras de segurança chutando a própria filha de 3 anos no rosto, justificou a conduta violenta alegando que a criança "estava berrando na rua". O episódio, ocorrido em Francisco Beltrão, no Paraná, foi registrado pela Polícia Civil, que agora aprofunda as investigações sobre o histórico de abusos sofridos pelas crianças, nesta terça-feira, 14/07/2026.

Em depoimento às autoridades, o homem admitiu ter "perdido a cabeça" no momento em que a família retornava de um mercado. O agressor afirmou que a menina costumava chorar com frequência e que teria solicitado silêncio antes da agressão. O ato, presenciado pelo irmão de 5 anos da vítima, causou profunda indignação social ao ilustrar a vulnerabilidade de crianças em ambientes que deveriam ser de proteção.

A Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito, que não cabe recurso imediato para sua revogação nesta fase processual. Além da agressão filmada, a Polícia Civil apura denúncias de que os menores eram submetidos a castigos cruéis, incluindo a imposição de ajoelharem-se sobre grãos de feijão e tampas de garrafa PET. As autoridades avaliam agora se o caso será tipificado como tortura, dado o padrão de sofrimento físico e psicológico imposto.

Enquanto a mãe das crianças busca medida protetiva para romper o ciclo de violência, dados do Ministério da Saúde acendem um alerta nacional: o número de atendimentos hospitalares de crianças de até 9 anos vítimas de agressão saltou de 8.900, em 2020, para 18.968, em 2024. O Disque 100 corrobora a gravidade do cenário, registrando que a maior parte dos agressores pertence ao próprio núcleo familiar.

Especialistas reforçam que a violência doméstica não possui caráter educativo e que a denúncia é o único caminho efetivo para interromper a perpetuação de traumas geracionais. Órgãos de proteção seguem acompanhando o caso para garantir a integridade dos menores.

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