JUSTIÇA E DOR

Pai de Henry lamenta perdão judicial a Monique Medeiros: “Mataram meu filho outra vez”

Leniel Borel em momento de reflexão sobre o caso Henry.
Leniel Borel busca justiça pela morte de seu filho, Henry, ocorrida em 2021 no Rio de Janeiro.

Leniel Borel contesta a decisão da Justiça do Rio de Janeiro que absolveu a mãe do menino. Família busca recursos para reverter a sentença.

A Justiça do Rio de Janeiro concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe de Henry, em sentença proferida no julgamento que também condenou o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, pela morte da criança. A decisão foi tomada para dispensar a aplicação de pena à genitora, embora a medida tenha causado profundo impacto emocional na família paterna de Henry, que considera a sentença um revés na busca por justiça, nesta terça-feira, 14/07/2026.

Em entrevista, Leniel Borel afirmou que a decisão representa uma nova forma de vitimização para aqueles que ainda sofrem pela perda. Para ele, o perdão judicial é interpretado como um “escárnio”, intensificando a dor que a família carrega desde 8 de março de 2021. Leniel sustenta que o desfecho do processo jurídico ignora o sofrimento dos entes queridos e reitera seu compromisso em recorrer da decisão, buscando anular o perdão concedido.

O instituto do perdão judicial, previsto no Código Penal, permite que o magistrado deixe de aplicar a sanção quando as consequências da infração atingem o próprio autor de forma tão grave que a punição estatal se torna desnecessária. Embora a lei preveja essa possibilidade, o caso de Henry, marcado por extrema violência constatada pelo Instituto Médico-Legal (IML), gera debates sobre os limites da aplicação dessa norma em crimes hediondos.

Enquanto Monique Medeiros foi beneficiada, o padrasto da criança, Dr. Jairinho, permanece sob custódia. Ele cumpre pena no presídio Pedrolino Werling de Oliveira, localizado no Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro (RJ). Em 1° de julho, o detento foi isolado após agentes encontrarem um aparelho celular em sua cela, medida que reforça a vigilância sobre o condenado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.

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