CRISE NA IGREJA

Padre de Ceilândia rejeita excomunhão do Vaticano e mantém celebrações

Fachada da Capela Santo Atanásio em Ceilândia
Capela Santo Atanásio, local das celebrações em Ceilândia. Foto: Reprodução/Google Maps

Após decreto do Vaticano sobre cisma, sacerdote de Brasília ignora punição e segue com ritos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Um sacerdote vinculado à Capela Santo Atanásio, em Ceilândia, DF, declarou publicamente que não reconhece a validade da excomunhão imposta pelo Vaticano aos membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). A manifestação, ocorrida em vídeo publicado no sábado, 11 de julho de 2026, reafirma a intenção do religioso de continuar a celebração de missas e o exercício de atividades pastorais, desafiando a determinação da Arquidiocese de Brasília.

A decisão da Santa Sé, que impacta diretamente fiéis e clérigos que aderem formalmente ao grupo, fundamenta-se na caracterização de "cisma" — uma ruptura grave na unidade da Igreja Católica. O conflito escalou após a FSSPX ordenar quatro bispos sem autorização papal em uma cerimônia realizada em Écône, na Suíça, no dia 1 de julho de 2026.

Em sua resposta, o sacerdote Françoá Rodrigues Figueiredo Costa classificou as sanções como "nulas" e "inválidas". Ele argumentou que, embora exista uma discordância severa com a hierarquia atual, a desobediência não configuraria cisma, reiterando que mantém o nome do Papa Leão XIV em suas orações. "Continuaremos todos os dias a rezar a Santa Missa, consciente de que somos católicos", afirmou o religioso em gravação datada de 11 de julho de 2026.

Por outro lado, a Arquidiocese de Brasília emitiu um comunicado orientando os fiéis a evitarem as celebrações promovidas pelo grupo. A instituição alerta para o "grave risco de gradual aderência ao mesmo cisma e excomunhão", sublinhando que os sacramentos ministrados pela FSSPX, como confissões e casamentos, carecem de validade perante a Igreja Católica.

A controvérsia, que ecoa divisões históricas desde o episódio envolvendo Marcel Lefebvre e o papa João Paulo II em 1988, coloca em xeque a unidade da comunidade local. Para os fiéis, o cenário gera incerteza sobre a legitimidade da prática de sua fé, enquanto a autoridade eclesiástica mantém a posição de que a adesão à FSSPX resulta no desligamento formal da comunhão católica.

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