BELEZA E PERIGO

Os riscos fatais por trás da expansão desregulada do BBL não cirúrgico no Reino Unido

Salão de beleza onde são oferecidos procedimentos de preenchimento dérmico
O setor de procedimentos estéticos, como o BBL não cirúrgico, cresce sem regulamentação rigorosa no Reino Unido — Foto: Getty Images

A morte de uma jovem após procedimento estético em salão improvisado expõe a fragilidade da fiscalização e o crescimento desenfreado de um setor sem barreiras sanitárias.

A morte de Alice Webb, uma mãe de 33 anos, após submeter-se a um Brazilian butt lift (BBL) não cirúrgico em uma clínica temporária improvisada em um salão de beleza, evidenciou a perigosa falta de regulamentação no mercado de estética britânico. O falecimento, ocorrido menos de 24 horas após o procedimento em setembro de 2024, marca o primeiro óbito registrado no Reino Unido decorrente dessa técnica específica, que envolve a aplicação de grandes volumes de preenchimento dérmico.

O impacto dessas intervenções vai além das estatísticas fatais, atingindo a integridade física de pacientes que, em busca de padrões estéticos influenciados pelas redes sociais, acabam em salas improvisadas sem qualquer suporte médico. Casos de sepse, tecidos necrosados e deformações graves tornaram-se uma realidade frequente, conforme relata a organização Save Face, que monitora danos causados por práticas irregulares.

Nesta quinta-feira, 09/07/2026, o cenário revela que o Reino Unido possui um dos mercados de cosméticos injetáveis menos protegidos da Europa. Ao contrário de nações como França ou Áustria, onde a prática é restrita a médicos, no território britânico qualquer pessoa pode, tecnicamente, realizar cursos rápidos e oferecer preenchimentos dérmicos ou Botox, sem a exigência de uma formação clínica formal.

A gravidade da situação levou os governos da Inglaterra e da Escócia a prometerem um endurecimento na fiscalização, com a implementação de sistemas de licenciamento previstos para os próximos anos. Contudo, especialistas como Alexander Zargaran, do University College London, alertam que a fragmentação da responsabilidade entre conselhos municipais e forças policiais dificulta o combate a profissionais inescrupulosos que operam em áreas periféricas, onde o acesso a profissionais de saúde qualificados é mais escasso.

Enquanto novas legislações e propostas como a classificação de 'categoria vermelha' para procedimentos de alto risco aguardam implementação, a realidade é marcada pela insegurança. A promessa de um corpo ideal, impulsionada pela cultura de celebridades e pela conveniência do preço, continua a expor milhares de pessoas a riscos evitáveis em um mercado que, embora bilionário, ainda carece de um controle centralizado capaz de garantir a segurança dos pacientes.

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