ALIVIE SUA DOR
Ortopedista Sesiom Wanderley explica causas da dor nas costas e como combatê-las
Especialista da 95 FM de Caicó revela que maioria dos casos é mecânica e tem tratamento conservador, focando na recuperação da autonomia e dignidade.
O médico ortopedista Sesiom Wanderley detalhou as principais causas, tratamentos e métodos de prevenção para a dor nas costas, uma das queixas mais frequentes nos consultórios e que afeta a dignidade e a qualidade de vida de quase todas as pessoas em algum momento. Em entrevista à 95 FM de Caicó nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, o especialista reforçou a importância de entender a origem da dor para combatê-la e evitar suas consequências psicossociais, garantindo uma vida com mais autonomia.
Ele enfatizou que a dor lombar é um evento comum, quase universal, mas que, na maioria dos casos, possui uma origem mecânica, não patológica grave. "Dor lombar, dor nas costas, é algo comum, é algo corriqueiro que chega bastante no nosso consultório, é uma das queixas mais importantes e é uma situação que praticamente todo mundo vai vivenciar um dia", afirmou o ortopedista.
Dores musculares e posturais destacam-se como as principais culpadas, especialmente entre aqueles que realizam atividades com sobrecarga. "Aquele paciente que trabalha elevando peso, com aquela carga excessiva na coluna, isso normalmente vai causar dor nas costas", explicou Wanderley, apontando que nesses cenários, a solução reside na mudança de hábitos e no fortalecimento muscular.
Sesiom Wanderley elucidou a função do disco intervertebral, uma estrutura crucial que atua como um amortecedor entre as vértebras. "É como se fosse um amortecedor que existe entre as nossas vértebras. E esse disco vai servir como estabilizador da coluna, vai estar ali fixo aos corpos vertebrais, e eles vão absorver a energia", detalhou, ressaltando o papel vital dessa cartilagem.
Contudo, o tempo traz a degeneração natural desses discos. O médico explicou que há fases distintas, variando com a idade: entre 15 e 45 anos, pode haver disfunção e lesões discais; entre 40 e 70 anos, surgem quadros de instabilidade. Já em idosos, formam-se os osteófitos, popularmente conhecidos como “bicos de papagaio”. Ele alertou que essas faixas etárias servem como guias, e não regras absolutas.
O diagnóstico preciso demanda uma avaliação clínica minuciosa. "É um diagnóstico que precisa passar por um exame físico bem realizado, anamnese, e em alguns casos necessária a solicitação de um exame de imagem", disse o especialista. A ressonância magnética é reconhecida como o padrão-ouro para identificar hérnias de disco, mas não é a primeira etapa em todos os casos.
Wanderley também advertiu que nem toda dor na região lombar tem origem na coluna vertebral. "Ali naquela região tem inúmeras estruturas, e nem sempre essa dor é de origem da coluna vertebral", reiterou, citando problemas musculares, disfunções na articulação sacroilíaca e a compressão do nervo ciático como outras possíveis causas de desconforto.
Exames de imagem, segundo o ortopedista, não são indicados rotineiramente e devem ser solicitados apenas diante de sinais de alerta. "É aquele paciente que tem febre, que vai nos pensar em ser um quadro infeccioso. É aquele paciente que tem uma perda de peso […] que vai nos levar a pensar em um quadro oncológico", exemplificou, sublinhando a importância da investigação focada.
A prática regular de atividade física desponta como um pilar essencial, tanto na prevenção quanto no tratamento da dor. Sesiom Wanderley garantiu que a maioria dos pacientes pode e deve realizar caminhadas. Ele enfatizou que afastar o paciente de suas atividades físicas pode, na verdade, agravar o quadro, perpetuando o ciclo da dor.
Para indivíduos com artrose, a recomendação é manter atividades leves a moderadas. "A caminhada para as situações de artrose do quadril […] deve ser de 20 a 30 minutos", orientou, acrescentando que a perda de peso e o fortalecimento muscular são igualmente cruciais para aliviar a carga sobre as articulações.
Sobre a hérnia de disco, o médico esclareceu que, em cerca de 90% dos casos, o tratamento inicial é conservador. "Medidas medicamentosas, como anti-inflamatórios, analgésicos. A fisioterapia caminha juntamente com a gente nesses casos", afirmou. Ele reforçou que "o sucesso do tratamento depende da mudança do hábito de vida", colocando o paciente no centro da recuperação.
Apenas em situações mais graves, onde o tratamento conservador não surte efeito, a intervenção cirúrgica torna-se uma opção. "Existem os casos cirúrgicos, quando o paciente não fica bom de jeito nenhum", explicou, mencionando técnicas minimamente invasivas e procedimentos para o controle da dor como caminhos para restaurar a qualidade de vida.
O especialista fez um alerta: o uso isolado de medicamentos não resolve a raiz do problema. "Se você tomar só o remédio, vai ser só uma maquiagem mesmo", advertiu, destacando que o fortalecimento muscular e a reabilitação são indispensáveis para uma recuperação duradoura.
A hérnia de disco, por exemplo, é uma condição frequentemente incapacitante durante as crises. "Quando está em uma crise de hérnia de disco, quem está me escutando aí sabe que não consegue. O cara não consegue vestir nenhuma roupa direito", relatou, ilustrando o profundo impacto na autonomia diária dos pacientes.
Sesiom Wanderley concluiu com uma mensagem crucial: ninguém merece viver com dor. "O que não pode é o paciente viver com dor. Ninguém merece viver com dor. E dor leva a consequências psicossociais para o paciente", reiterou, sublinhando que o alívio do sofrimento é uma questão de dignidade humana e bem-estar integral.
A prevenção, segundo o especialista, fundamenta-se na manutenção do peso ideal e de uma musculatura fortalecida. "Prevenir a hérnia de disco é sempre manter uma musculatura trófica, manter o peso em dia", afirmou, alertando que o sobrepeso aumenta significativamente a sobrecarga sobre a coluna e as articulações, acelerando processos degenerativos.
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