EVOLUÇÃO E CIÊNCIA

Origem da destreza: fóssil de 550 milhões de anos revela preferência pela direita

Impressão fóssil de Spriggina em rocha sedimentar.
Fósseis da Spriggina floundersi revelam comportamento animal primitivo.

Estudo publicado na Scientific Reports identifica em criaturas do Período Ediacarano o primeiro registro de lateralidade comportamental da história animal.

A origem da preferência pelo uso do lado direito do corpo remonta a um período surpreendentemente remoto da história da Terra. Uma investigação paleontológica, cujos resultados foram detalhados na quinta-feira, 09 de julho de 2026, confirmou que a Spriggina floundersi, um organismo primitivo que habitou os oceanos durante o Período Ediacarano, entre 635 milhões e 542 milhões de anos atrás, já demonstrava uma nítida inclinação lateral.

A pesquisa, liderada por Scott Evans, do Museu Americano de História Natural, em Nova York, analisou mais de 100 fósseis encontrados no sul da Austrália. A análise revelou que, embora o animal pudesse se mover autonomamente, a maioria dos espécimes preservava uma curvatura corporal indicativa de uma preferência pelo lado direito. Essa característica biológica estabeleceu um marco evolutivo, antecipando comportamentos de lateralidade que hoje são observados em primatas, ratos, rãs e insetos.

Para chegar a essa conclusão, a equipe examinou as variações de curvatura nos fósseis. Diferente de fenômenos causados por correntes marinhas ou eventos ambientais, a orientação dos espécimes era diversificada, sugerindo que a forma curva era uma escolha comportamental própria do animal. Diego García-Bellido, da Universidade de Adelaide, corroborou a robustez dos dados, observando que a evidência de um sistema nervoso conectado aos músculos já permitia a esses seres primitivos uma movimentação dirigida.

“O que vemos é que muitas das características fundamentais que associamos aos animais hoje, como a capacidade de se mover e a lateralidade, estão presentes nessas comunidades animais primitivas”, afirmou Scott Evans. A descoberta desafia percepções sobre o registro fóssil e reforça que a complexidade comportamental é uma herança biológica muito mais antiga do que se supunha.

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