MANDATOS AFETADOS

Oposição reage à suspensão de três parlamentares na Câmara

Marcos Pollon, Marcel Van Hattem e Zé Trovão
Marcos Pollon, Marcel Van Hattem e Zé Trovão, deputados suspensos por 60 dias (5.mai.2026)

Marcos Pollon, Marcel Van Hattem e Zé Trovão foram punidos por 60 dias. Defensores veem "censura".

A Mesa da Câmara decidiu pela suspensão dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por 60 dias, na noite de 5 de maio de 2026. A medida, tomada por quebra de decoro parlamentar, remete ao protesto dos Congressistas em agosto de 2025, quando ocuparam a Mesa do plenário contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL). A decisão desencadeou uma onda de críticas da Oposição, que a considera um grave precedente contra a liberdade de expressão e o pleno exercício do mandato, impactando diretamente a representação de mais de 400 mil eleitores. A suspensão ainda não é definitiva, aguardando análise do plenário e cabendo recurso aos deputados.

Filho do ex-presidente e pré-candidato ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou solidariedade aos deputados suspensos. Em publicação no X, ele afirmou que a pauta defendida por eles era legítima e que a suspensão "abre um grave precedente contra a liberdade de expressão e o pleno exercício do mandato". Flávio Bolsonaro ainda ressaltou que já houve casos semelhantes no Congresso, "inclusive protagonizados pela esquerda, sem qualquer punição nessa mesma dimensão". Van Hattem respondeu à publicação, agradecendo o apoio.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, classificou a suspensão como "bizarra". Ele declarou: "Isto sim é um verdadeiro ataque à democracia, desrespeito com os eleitores. Por que quando a esquerda ocupou a Mesa do Senado ou Câmara nada aconteceu?".

Para o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), este é um "dia vergonhoso". Segundo o Congressista, "o pior de tudo é isso ter acontecido após uma manobra que cancelou as votações em plenário, só para punir os deputados. Juntos, são mais de 400 mil eleitores censurados", enfatizou, destacando o impacto da decisão sobre o eleitorado dos parlamentares.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) direcionou críticas ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). "Só pode ser inveja. Impressionante a caçada implacavelmente covarde", escreveu. O Congressista sugeriu que Motta "se ressente" por ser jovem como os deputados suspensos, "mas incapaz de ter a popularidade espontânea e verdadeira que cada um desses tem".

Rogério Marinho (PL-RN), líder da Oposição no Senado, defendeu o Congresso como espaço de debate e divergência, não de silenciamento. "A medida, na prática, representa um cerceamento à liberdade de expressão e ao pleno exercício do mandato", pontuou em publicação no X.

O deputado Mauricio Marcon (PL-RS) também criticou a suspensão, escrevendo no X: "Se estes tivessem amantes em seus gabinetes, recebendo para prestar serviços 'não republicanos', ou ainda tivessem sido pegos com dinheiro em suas cuecas, certamente a punição –se é que existiria– seria muito mais branda".

O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) prestou solidariedade aos três, com menção direta a Marcel Van Hattem: "O Rio Grande do Sul transformará esta punição injusta em um momento que o elevará ao Senado da República", disse em vídeo publicado no X. "Você tem coragem de lutar contra o sistema. Você está sendo punido não pelos erros, mas pela coragem de enfrentar duramente este sistema", declarou Gaspar.

O deputado Mario Frias (PL-SP) direcionou a solidariedade a Marcos Pollon. Para Frias, a suspensão "é mais um capítulo da lenta degradação institucional de um país onde princípios passaram a incomodar mais do que abusos, e onde homens livres são tratados como ameaça simplesmente por não aceitarem se ajoelhar". Ele ainda comparou com a falta de punição para Congressistas de esquerda em situações semelhantes: "Quando se trata de alguém da direita, a régua muda. Tenho a plena certeza de que o Pollon sairá disso maior".

O ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) também declarou solidariedade aos três e criticou Hugo Motta, classificando-o como uma "demonstração abjeta de imaturidade, inexperiência e subserviência; um despreparado pau-mandado" em sua publicação no X.

Em contraponto, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) declarou que a suspensão ficou "aquém das gravidades dos fatos". Sem mencionar nomes diretamente, ela expressou revolta "ver deputados gaúchos protagonizando um ataque à própria Câmara" –referindo-se a Marcel Van Hattem, o único dos Congressistas suspensos eleito pelo Rio Grande do Sul.

"Isso não é protesto. É desrespeito com o povo brasileiro", declarou a deputada. Segundo ela, a "democracia não pode ser tratada como palco de chantagem. Tem regra, tem limite, tem responsabilidade".

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) publicou um vídeo de discussão no Conselho de Ética, criticando "as ofensas e ameaças do advogado de Van Hattem", as quais classificou como "inaceitáveis em todos os aspectos".

É importante ressaltar que, para entrar em vigor, a suspensão ainda precisa ser analisada pelo plenário da Câmara. Os deputados podem recorrer da decisão, o que indica que o processo ainda não é definitivo e está sujeito a futuras etapas legislativas.

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