DINHEIRO SUJO NA BOMBA

Operação Unha e Carne: Coaf rastreou lavagem de R$ 7,6 bi em postos

Logo da PF com o nome da Operação Unha e Carne
PF deflagra 6ª fase da Operação Unha e Carne

Nova base do Coaf no Rio de Janeiro ajudou a identificar movimentações financeiras que abasteciam esquema de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis. Ex-prefeito e ex-delegado foram alvos.

Uma operação deflagrada nesta terça-feira, 07/07/2026, identificou movimentações financeiras suspeitas que, segundo as investigações, abasteciam um esquema de lavagem de dinheiro a partir de postos de combustíveis. A 6ª fase da Operação Unha e Carne aponta que o esquema movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões. A investigação visa desarticular um complexo esquema que utilizava estabelecimentos comerciais para ocultar a origem de valores ilícitos. O impacto na economia local e a desconfiança gerada em transações cotidianas são preocupações centrais.

A nova base do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Rio de Janeiro, inaugurada na semana passada, foi crucial no rastreamento da atuação do grupo e das transações. As informações fornecidas pelo Coaf embasaram os mandados de busca e apreensão cumpridos nesta manhã. A eficácia dessa colaboração interinstitucional demonstra um avanço no combate à corrupção e na proteção da integridade financeira.

Entre os alvos de mandados de busca e apreensão estão o ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) e pré-candidato ao Senado Márcio Canella (União Brasil) e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. A investigação busca apurar a ligação dessas figuras públicas com o esquema, o que levanta sérias questões sobre a confiança nas instituições e a aplicação da lei.

A suspeita é de que os postos funcionavam como uma "base de compensação", recebendo tanto valores legais quanto ilegais. Essa prática, conhecida como "mistura de dinheiro", dificulta o rastreamento por órgãos de investigação. Posteriormente, os recursos eram repassados para empresas de fachada, ocultando a verdadeira origem dos fundos e impactando a transparência financeira.

A lista de investigados inclui ainda o ex-PM e miliciano Juracy Alves Prudêncio, o Jura. Sua atuação, mencionada no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em novembro de 2008, como chefe de um grupo paramilitar em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, reforça a gravidade das acusações e a necessidade de ação das autoridades para garantir a segurança e a ordem pública.

Agentes cumpriram um total de 19 mandados de busca e apreensão em cidades como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, além da capital fluminense. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado, medidas essenciais para descapitalizar a organização criminosa e restaurar a justiça.

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