ALERTA FINANCEIRO
Operação Fluxo Oculto: Seis fintechs em SP são alvos de investigação por lavagem de dinheiro do crime organizado
Investigações apontam que empresas de tecnologia financeira e fundos de investimento movimentaram R$ 26 bilhões em quatro anos como "bancos paralelos" para ocultar patrimônio ilícito. Medidas de fiscalização e regulamentação são intensificadas.
Nesta terça-feira, 02/06/2026, uma nova fase da operação que investiga a infiltração do crime organizado no setor financeiro de São Paulo foi deflagrada. A operação batizada de Fluxo Oculto, comandada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), Receita Federal e Agência Nacional do Petróleo (ANP), apura o uso de seis fintechs e quatro fundos de investimento para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. As investigações revelaram que essas instituições movimentaram a impressionante quantia de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, funcionando como "bancos paralelos" para o crime organizado, especialmente para organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
A decisão de intensificar a investigação e cumprir 59 mandados de busca e apreensão na última quinta-feira (29/5) se deu após a descoberta de que o esquema continuou atuante mesmo após a operação Carbono Oculto, que em agosto de 2025 evidenciou a entrada do PCC na economia formal. A descoberta de que novas fintechs haviam substituído as anteriores em práticas ilícitas motivou a ação. O motivo principal é fechar as brechas regulatórias e financeiras exploradas por organizações criminosas para movimentar recursos de origem duvidosa, impactando diretamente a dignidade social ao sustentar atividades criminosas que geram violência e insegurança. A importância desta operação reside em desmantelar a infraestrutura financeira do crime, protegendo a integridade do sistema financeiro e a segurança pública.
Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, as fintechs atuavam como a "porta de entrada" para o dinheiro ilícito no sistema financeiro. Posteriormente, os fundos de investimento entravam em cena para ocultar o patrimônio, criando cadeias complexas de investimento para dificultar o rastreamento. O promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP, João Paulo Gabriel, destacou a preocupação com a convergência criminosa, onde diferentes organizações compartilham os mesmos fluxos financeiros, utilizando as mesmas fintechs investigadas.

A investigação aponta que as fintechs, por não serem bancos na classificação do Banco Central, possuíam particularidades regulatórias, como exigências mais brandas de transparência e menores reservas financeiras, que foram exploradas pelo crime. Após a operação Carbono Oculto, autoridades intensificaram medidas para fechar essas brechas. Em agosto de 2025, a Receita Federal equiparou o tratamento de fintechs ao de bancos, exigindo a apresentação detalhada de movimentações financeiras. Apesar de uma onda de desinformação, conhecida como "fake news do Pix", ter temporariamente suspenso a norma, ela entrou em vigor um dia após a deflagração da Carbono Oculto.
Adicionalmente, a Receita instituiu a DeCripto para monitorar transações em criptomoedas, um ativo também popular entre criminosos pela facilidade de movimentação internacional e anonimato. A Fluxo Oculto identificou a movimentação de R$ 365 milhões em criptoativos nas instituições alvo. O Banco Central também tomou medidas, determinando que novas instituições de pagamento peçam autorização formal e fechando o cerco contra "contas-bolsão", que agrupavam recursos de várias pessoas sem identificação individualizada, facilitando a ocultação.
A professora do Insper, Juliana Facklmann, ressalta que a exploração das contas-bolsão e a falta de bons controles de prevenção à lavagem de dinheiro em algumas fintechs foram mecanismos cruciais utilizados pelos criminosos. As novas medidas do Banco Central e da Receita são consideradas importantes para evitar situações semelhantes, permitindo um monitoramento mais eficaz das movimentações financeiras. Contudo, a fiscalização continua sendo um desafio, com relatos de que algumas das fintechs investigadas não cumpriam as obrigações de envio de dados detalhados ao Fisco.
A pressão por melhorias na fiscalização e no fechamento de brechas regulatórias ganhou novo impulso com a classificação do PCC e CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Especialistas alertam para o risco regulatório ampliado para empresas brasileiras com exposição ao sistema financeiro internacional. A recomendação é para uma análise minuciosa das organizações parceiras e seus beneficiários finais, garantindo que não haja vínculos com o crime organizado para evitar sanções.
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