CRIME DE GUERRA

ONU denuncia violência sexual em Gaza e Ucrânia, incluindo forças de Israel e Rússia

Secretário-geral da ONU, António Guterres
António Guterres, secretário-geral da ONU. Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Secretário-geral António Guterres inclui Israel e Rússia em relatório anual sobre violência sexual em conflitos. Decisão gera forte reação de Israel.

A ONU (Organização das Nações Unidas) incluiu as forças de segurança de Israel e da Rússia em seu relatório anual sobre violência sexual em conflitos armados. A decisão, anunciada nesta quinta-feira, 29/05/2026, por António Guterres, secretário-geral da ONU, visa combater padrões de abusos ligados a guerras em Gaza e na Ucrânia. O documento, obtido pela AFP, destaca a inclusão após denúncias envolvendo prisioneiros e a persistência de incidentes mesmo após alertas prévios.

A inclusão ocorre apesar de, em agosto de 2025, Guterres já ter alertado Israel e Rússia sobre o risco de serem adicionados à lista. Contudo, as Nações Unidas continuaram a registrar casos de violência sexual relacionados à guerra na Ucrânia e aos territórios palestinos ocupados. Investigadores da ONU enfrentaram, inclusive, uma “negação persistente de acesso” por parte das autoridades dos dois países, conforme detalhado no relatório a ser enviado ao Conselho de Segurança.

António Guterres, secretário-geral da ONU

No caso de Israel, o relatório aponta que em 2025 continuaram a ser registrados casos de violência sexual contra palestinos detidos em Israel e nos territórios palestinos ocupados. A ONU ressalta que os episódios confirmados representam apenas uma parte de um padrão observado ao longo de vários anos, devido à restrição de acesso a centros de detenção israelenses. Desde 2023, foram confirmados diversos casos de violência sexual, incluindo tortura, contra 14 homens, sete mulheres, nove meninos e uma menina na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Os abusos relatados pela ONU incluem estupro com objetos, estupros coletivos, agressões físicas nos órgãos genitais, nudez forçada e revistas corporais sem justificativa aparente de segurança. Estes atos são atribuídos a integrantes do Exército israelense, forças de segurança e agentes do sistema penitenciário. Em resposta, Israel classificou a decisão de Guterres como “vergonhosa e absurda”, argumentando que o país está sendo equiparado ao Hamas, que já figura na lista. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, anunciou o “congelamento” das relações com o gabinete de Guterres até o fim de seu mandato, em 31 de dezembro.

Quanto à Rússia, o relatório menciona episódios de violência sexual cometidos em territórios ucranianos ocupados e também dentro da própria Rússia por membros das forças armadas e do sistema penitenciário. Os relatos incluem depoimentos de prisioneiros de guerra após serem libertados. Com base em dados da missão de monitoramento de direitos humanos na Ucrânia, a ONU registrou 310 casos de violência sexual relacionada ao conflito, a maioria das vítimas sendo do sexo masculino, e incluindo estupros, mutilações genitais e choques elétricos.

A inclusão de Israel e Rússia na lista de responsáveis por violência sexual em conflitos é um marco significativo, com profundo impacto na dignidade das vítimas e na percepção internacional da responsabilidade em zonas de guerra. A decisão da ONU reforça a urgência no combate a esses crimes e na busca por justiça para os afetados.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário