AJUDA INTERNACIONAL EM QUEDA

ONU alerta: cortes na ajuda internacional ameaçam décadas de progresso na luta contra o HIV

Representação gráfica da queda nos investimentos em programas de combate ao HIV.
Os cortes significativos na ajuda internacional estão desorganizando a luta contra o HIV e colocam em risco décadas de avanços, advertiu a agência da ONU.

Agência da ONU aponta desmonte de programas de prevenção e tratamento, com queda drástica no acesso à PrEP e preservativos. Impacto na dignidade humana é o foco.

A luta contra o HIV enfrenta um risco sem precedentes devido a cortes significativos na ajuda internacional. Nesta sexta-feira, 12/06/2026, a agência da ONU encarregada de combater a doença alertou que décadas de avanços estão em perigo, impactando diretamente a dignidade e a saúde de milhões.

"É a primeira vez que a luta contra o HIV é tão afetada desde que o mundo começou a se mobilizar contra essa doença", afirmou em entrevista à AFP Winnie Byanyima, diretora-executiva do Unaids. A chefe da agência destacou que a batalha está "em perigo por causa dos cortes repentinos" nos fundos globais.

Essa redução na ajuda internacional, notada em vários países desenvolvidos, reflete decisões políticas. Os Estados Unidos, durante o segundo mandato de Donald Trump, desmantelaram a agência americana dedicada ao tema, a Usaid. Outros países, como Alemanha, França e Reino Unido, também diminuíram suas contribuições, o que afeta ONGs e programas cruciais de combate a doenças como a Aids, especialmente nas regiões mais vulneráveis do mundo.

Representação visual da luta contra o HIV.

O impacto é concreto e alarmante. O relatório mais recente do Unaids revela que, entre 2024 e 2025, o número de pessoas que têm acesso à PrEP, um tratamento preventivo vital contra o HIV, caiu 38% em cerca de 60 países. Os fundos para a distribuição de preservativos despencaram 90%, e os recursos para programas de prevenção diminuíram 80%. Esses cortes minam a capacidade de proteger vidas e garantir dignidade.

No ano passado, o Unaids estima que 570 mil pessoas morreram de aids e 1,2 milhão foram infectadas. Embora os números apontem para uma tendência de queda desde 2010, a agência adverte que o pior ainda pode estar por vir, pois o impacto total da redução da ajuda internacional ainda não foi computado.

A situação varia regionalmente. Novas infecções por HIV aumentaram 13% na América Latina, 15% na Europa Oriental e Ásia Central, e um acentuado 77% no Oriente Médio e Norte da África. Em contrapartida, o Caribe reduziu novas infecções em 30%, e a Europa Ocidental, Europa Central e América do Norte em 13%. Mais de 50 países se comprometeram a aumentar seus recursos internos, como Bolívia, Brasil, Chile, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Peru e Equador, mas Winnie Byanyima ressalta que isso "não irá compensar" a perda de fundos internacionais.

Novas ferramentas terapêuticas, como o lenacapavir da Gilead, demonstram grande potencial na prevenção e tratamento do HIV. Contudo, seu acesso ainda é restrito aos países mais desenvolvidos, evidenciando as disparidades globais na saúde e na dignidade humana.

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