ONS ADAPTA GERACÃO
ONS reduz geração eólica e solar durante jogo do Brasil contra Japão na Copa do Mundo
Queda no consumo de energia durante partida forçou o Operador Nacional do Sistema Elétrico a diminuir a produção de fontes renováveis para manter o equilíbrio da rede elétrica.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tomou a decisão de reduzir em cerca de 20 gigawatts (GW) a geração de energia eólica e solar na tarde de segunda-feira, 29 de junho de 2026. A medida foi necessária para garantir o equilíbrio da rede elétrica durante a partida da seleção brasileira contra o Japão pela Copa do Mundo, após uma queda acentuada no consumo de energia. A informação foi divulgada pelo órgão nesta terça-feira, 30 de junho de 2026.
A partida, que selou a classificação do Brasil para as oitavas de final, ocorreu pela primeira vez no torneio em um horário de pico de consumo, às 14h. Nesse período, muitos brasileiros interromperam suas atividades para acompanhar o jogo, o que diminuiu drasticamente o consumo de energia, justamente quando a produção das usinas solares atinge seu ápice.
Essa flutuação repentina representa um desafio significativo para a operação do sistema elétrico. Manter em tempo real o equilíbrio exato entre a energia produzida e a consumida é fundamental para evitar interrupções no fornecimento e garantir a segurança energética da população. O problema é agravado pela produção descentralizada de milhões de painéis solares, cuja geração não pode ser controlada diretamente pelo ONS.
Durante o jogo, o consumo nacional de energia registrou uma queda de 21%, atingindo 66.515 megawatts médios próximo ao intervalo. Assim que a partida terminou, às 16h02, a demanda voltou a crescer rapidamente, com um aumento de 12.783 MW em apenas uma hora – um volume expressivo, comparável ao consumo médio somado dos Estados de Minas Gerais e Paraná.
Em nota, o ONS explicou que o objetivo da redução foi prevenir riscos à estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e evitar a perda de controlabilidade do sistema, assegurando a segurança e a continuidade do fornecimento de energia à sociedade. O corte de geração, equivalente a cerca de 10% da capacidade das grandes usinas conectadas ao sistema, evidencia as limitações enfrentadas pelo setor de energia renovável em momentos de alta produção e baixa demanda.
O crescimento expressivo da oferta de eletricidade nos últimos anos, combinado com a capacidade insuficiente das linhas de transmissão para escoar essa produção, tem gerado cortes de geração, perdas financeiras bilionárias para o setor e o adiamento ou cancelamento de investimentos. Essas questões estruturais impactam diretamente a confiança e o desenvolvimento do mercado de energias renováveis no Brasil.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, informou que o órgão já está se preparando para o próximo jogo do Brasil, agendado para 5 de julho. "Avaliamos que mais pessoas estarão ligadas na Copa, o que poderá aumentar ainda mais a complexidade da operação", declarou, ressaltando a necessidade de monitoramento contínuo e planejamento para lidar com as variações abruptas de consumo.
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