EXCESSO DE PRODUÇÃO

ONS aciona plano emergencial inédito por excesso de energia solar no Brasil

Gráfico mostrando aumento da geração de energia solar no Brasil.
O excesso de geração solar distribuída forçou o ONS a acionar um plano emergencial inédito.

Pela primeira vez, ONS precisou cortar 1.000 megawatts de geração entre 10h e 14h devido ao volume histórico de energia solar distribuída, evidenciando a mudança no paradigma do setor elétrico brasileiro.

bloco_inicial_bloco_unico { "type": "paragraph", "data": { "text": "Nesta sexta-feira, 03/07/2026, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) acionou, pela primeira vez na história, um plano emergencial. A medida não se deu por escassez, mas sim por um volume sem precedentes de energia: o excesso de geração solar distribuída elevou a produção a tal ponto que o sistema não conseguiu absorver toda a energia produzida. Para garantir a estabilidade da rede, o ONS precisou intervir, cortando 1.000 megawatts de geração entre 10h e 14h." } } { "type": "paragraph", "data": { "text": "Este episódio inédito sinaliza uma profunda transformação no setor elétrico brasileiro. Com a expansão acelerada de fontes renováveis, como a solar e a eólica, o desafio principal deixa de ser gerar mais energia. Agora, o foco recai sobre a complexidade do sistema, que se torna mais suscetível a variações de oferta. Essa dinâmica impacta diretamente os consumidores, refletindo-se tanto nas contas de luz quanto na previsibilidade de custos." } } { "type": "paragraph", "data": { "text": "A gestão da energia, antes vista como um custo fixo de pouca maleabilidade, exige agora uma atenção de negócios mais próxima. O valor da conta de energia, suas oscilações e os modelos de contratação integram agora o núcleo das decisões estratégicas empresariais. A digitalização e novas tecnologias simplificam a operação e democratizam o acesso a alternativas de gestão, antes restritas a grandes corporações." } } { "type": "paragraph", "data": { "text": "A Lei nº 15.269/2025 estabeleceu um cronograma claro para esta transição. Consumidores comerciais e industriais de menor porte poderão migrar para o mercado livre a partir de novembro de 2027, com os consumidores residenciais seguindo em novembro de 2028. Paralelamente, o governo federal avança com leilões para contratar sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS), visando mitigar a variabilidade do sistema com investimentos estimados em R$ 10 bilhões." } } { "type": "paragraph", "data": { "text": "Essa reconfiguração redefine a eficiência energética, desvinculando a redução de custos de obras e intervenções. Modelos que conectam geração e consumo via plataformas digitais ganham espaço, oferecendo menor complexidade e exigência técnica. A conversão de energia solar em créditos digitais, por exemplo, permite levar fontes renováveis a empresas de forma mais simplificada. Para negócios de pequeno e médio porte, soluções sem investimento inicial já oferecem reduções relevantes e maior previsibilidade de custos, impactando o planejamento financeiro e a capacidade de crescimento." } } { "type": "paragraph", "data": { "text": "O acesso a fontes renováveis, antes restrito, amplia-se, alcançando negócios de menor porte e atendendo a um consumidor cada vez mais consciente do impacto ambiental de suas escolhas. A energia passa a ser encarada como um serviço, com acompanhamento contínuo, uso de dados e maior integração entre tecnologia e consumo. A matriz energética brasileira, já majoritariamente limpa, avança agora menos em expansão e mais em organização, garantindo que a energia chegue de forma simples e estruturada a todos os consumidores. A eficiência energética consolida-se como um instrumento de gestão com impacto direto no custo, risco e competitividade das empresas." } } { "type": "paragraph", "data": { "text": "* Por Alexandre Gomes, vice-presidente comercial da Matrix Energia." } }

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